Por Michael Church
DALLAS, 28 Jun (Reuters) - A jornada de Hajime Moriyasu para levar o Japão longe na Copa do Mundo enfrenta, na segunda-feira, um confronto entre mestre e aprendiz nas oitavas de final contra o Brasil, o país que mais influenciou a formação do futebol na nação quatro vezes campeã da Copa da Ásia.
A seleção japonesa viajou para a América do Norte com a ambição de chegar à sua primeira final, e as vitórias de grande repercussão sobre Alemanha, Espanha e Inglaterra nos últimos quatro anos reforçaram a ideia de que o Samurai Azul poderia se destacar.
Essas esperanças, no entanto, enfrentam um grande obstáculo em Houston, que representa muito mais do que apenas mais um adversário, dada a influência avassaladora do Brasil no futebol profissional japonês.
Lançada em 1993, a J-League não apenas se inspirou amplamente nos múltiplos campeões da Copa do Mundo, mas também contratou muitos de seus jogadores.
Zico, o craque criativo da lendária seleção brasileira da Copa do Mundo de 1982, foi convencido a sair da aposentadoria para se juntar ao Kashima Antlers, enquanto os jogadores da seleção nacional Bismarck e Elivelton deram início a uma onda de jogadores da seleção brasileira que se transferiram para o Japão.
No final da década de 1990, sete jogadores da seleção brasileira que venceu a Copa do Mundo de 1994, incluindo o capitão Dunga, já haviam jogado ou estavam jogando por clubes japoneses e, por extensão, exerceram sua influência sobre um cenário em rápido desenvolvimento.
“Quem não tem prestado atenção ao futebol japonês vai se surpreender”, diz César Sampaio, que jogou pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1998 enquanto estava sob contrato com o Yokohama Flugels, da J-League. “Eu não estou surpreso".
“Desde que estive lá, percebi que o futebol japonês vem melhorando, ano após ano, passo a passo. A disciplina deles sempre me pareceu fantástica".
“Mas agora eles têm jogadores fantásticos, como (Daizen) Maeda e (Ayase) Ueda. Eles têm um ótimo elenco, jogaram bem nas três partidas e enfrentar o Brasil será seu maior desafio.”
"MILAGRE EM MIAMI"
O Japão já teve sucesso contra o Brasil antes, mas nunca em uma Copa do Mundo.
O país conquistou uma vitória surpreendente por 1 a 0 nos Jogos Olímpicos de 1996, que ficou conhecida como o “Milagre em Miami”; e, mais significativamente, a equipe de Moriyasu derrotou o time de Carlo Ancelotti por 3 a 2 em um amistoso em Tóquio, em outubro.
As equipes se enfrentaram apenas uma vez anteriormente na Copa do Mundo, quando Zico — talvez o homem que mais contribuiu para moldar o futebol japonês — estava no banco de reservas na fase final de 2006, quando o Japão perdeu por 4 a 1 em Dortmund e foi eliminado do torneio.
Aquela seleção contava com Alessandro Santos, um dos três jogadores nascidos no Brasil que representaram o Japão nas oito participações do país na Copa do Mundo.
O zagueiro Marcus Tulio Tanaka foi o mais recente a fazer isso, atuando na África do Sul em 2010, quando o Japão chegou às oitavas de final.
“A partida entre Japão e Brasil tem um significado profundo”, disse Tulio à Reuters. “Ao longo dos anos, o Brasil influenciou profundamente o futebol japonês, desde os primórdios da J-League e a chegada dos jogadores brasileiros".
“Quando vim pela primeira vez ao Japão como estudante de intercâmbio, costumava me perguntar quando chegaria o dia em que Japão e Brasil se enfrentariam em pé de igualdade na Copa do Mundo, e esse dia chegou mais cedo do que o esperado".
“Neste torneio, a diferença entre as duas seleções, incluindo fatores como a preparação física dos jogadores, diminuiu mais do que nunca".
“Isso representa uma oportunidade única na vida para a seleção japonesa derrotar o Brasil no palco da Copa do Mundo.”
(Reportagem de Michael Church)



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