AMSTERDÃ, 29 Mai (Reuters) - O rapper norte-americano Kanye West, que foi impedido de se apresentar em vários países devido a comentários antissemitas feitos no passado, deverá fazer shows na Holanda no próximo mês, depois que o ministro da migração disse que não havia motivos legais para negar sua entrada.
Parlamentares holandeses pediram ao governo que proibisse a entrada de West, que agora é conhecido como Ye, citando seus comentários anteriores e expressões de admiração pelo nazismo e por Adolf Hitler.
"São necessárias bases sólidas para impedir a entrada de pessoas (na Holanda). Não os encontramos nas análises que foram realizadas", disse Bart van den Brink na sexta-feira. "Suas declarações passadas não são, neste momento, motivo para negar-lhe a entrada."
O rapper de 48 anos se apresentará na casa de shows GelreDome, na cidade de Arnhem, cerca de 100 km a sudeste de Amsterdã, nos dias 6 e 8 de junho. Essas seriam as primeiras apresentações de Ye na Europa desde 2014, informou a GelreDome em seu site.
As autoridades de Arnhem disseram que nenhuma permissão para protestar contra os shows havia sido solicitada até o momento.
Ye tem enfrentado uma crescente reação global, inclusive por seu lançamento de "Heil Hitler", uma música que promove o nazismo.
Em abril, o Reino Unido negou a entrada de Ye, alegando que sua presença não seria favorável ao bem público, forçando o cancelamento de sua apresentação planejada no Wireless Festival em Londres. No final daquele mês, ele também adiou um show em Marselha após relatos de que o governo francês havia tentado bloqueá-lo, e um show na Polônia também foi cancelado posteriormente.
Em janeiro, Ye publicou um anúncio de página inteira no jornal norte-americano Wall Street Journal renunciando à sua antiga admiração por Hitler e pedindo desculpas por seu comportamento, que ele atribuiu a uma lesão cerebral não diagnosticada e a um transtorno bipolar não tratado.
(Reportagem de Charlotte Van Campenhout e Suban Abdulla)




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