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Massacre no Haiti deixa pelo menos 70 mortos, diz grupo de direitos humanos

Massacre no Haiti deixa pelo menos 70 mortos, diz grupo de direitos humanos
Massacre no Haiti deixa pelo menos 70 mortos, diz grupo de direitos humanos

Por Steven Aristil e Natalia Siniawski

PORTO PRÍNCIPE, 30 Mar (Reuters) - Pelo menos 70 pessoas foram mortas e 30 ficaram feridas durante um ataque na região de Artibonite, celeiro do Haiti, informou um grupo de direitos humanos nesta segunda-feira, dado significativamente superior às estimativas oficiais.

O número de mortos relatado pelo grupo Collective Defending Human Rights excedeu em muito os números anteriormente fornecidos pelas autoridades. A polícia relatou inicialmente 16 mortos e 10 feridos, enquanto um relatório preliminar das autoridades de proteção civil sugeriu que 17 haviam morrido e 19 estavam feridos.

Um porta-voz disse a jornalistas nesta segunda-feira, durante uma coletiva de imprensa, que o secretário-geral da ONU condenou veementemente o ataque de gangues, cujas estimativas de mortos variam de 10 a 80 pessoas.

Segundo o porta-voz, a violência ressalta a gravidade da situação da área de segurança no país. Foi pedida uma investigação completa.

O grupo Collective Defending Human Rights disse que o "massacre" forçou cerca de 6.000 pessoas a fugirem de suas casas.

"A falta de uma resposta de segurança e o abandono de Artibonite aos grupos armados demonstram uma completa abdicação de responsabilidade por parte das autoridades", disse o grupo em um comunicado.

Membros armados da gangue Gran Grif atacaram a área de Jean-Denis por volta das 3h de domingo, segundo autoridades locais de proteção civil.

O ataque ocorreu após relatos das Nações Unidas de que mais de 2.000 pessoas foram recentemente desalojadas por ataques armados nas proximidades de Verrettes, o que levou os moradores de Petite-Riviere a fugirem de suas casas.

O departamento de Artibonite, importante área agrícola, tem sido palco da pior violência do Haiti, à medida que o conflito entre gangues se espalha para além da capital, Porto Príncipe.

Em março, os EUA ofereceram uma recompensa de até US$3 milhões por informações sobre as atividades financeiras dos grupos Gran Grif e Viv Ansanm. Washington classificou ambas, que representam coalizões de centenas de gangues, como organizações terroristas.

As forças de segurança haitianas, reforçadas por uma missão internacional apoiada pela ONU e por uma empresa militar privada dos EUA, intensificaram operações contra as gangues que controlam a maior parte da capital. Entretanto, as autoridades ainda não prenderam nenhum líder de gangue importante.

Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas pelo conflito com as gangues, o que exacerbou a insegurança alimentar, e cerca de 20.000 pessoas foram mortas no Haiti desde 2021. O número de mortos tem aumentado a cada ano.

(Reportagem de Steven Aristil, em Porto Príncipe, e Natalia Siniawski, na Cidade do México)

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