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México abre a Copa do Mundo em meio a paixão, festas e protestos

Reuters
México abre a  Copa do Mundo em meio a paixão, festas e protestos
México abre a Copa do Mundo em meio a paixão, festas e protestos

Por Stephen Eisenhammer e Emily Green e Cassandra Garrison e Sarah Morland

CIDADE DO MÉXICO, 11 Jun (Reuters) - Com trajes de mariachi, trompetes e uma multidão vestida de verde-escuro, a Cidade do México se preparava para dar início à Copa do Mundo nesta quinta-feira, enquanto torcedores lotavam o famoso Estádio Azteca antes da partida de abertura entre México e África do Sul, em meio a protestos pela capital.

Longas filas se estendiam ao redor do Azteca, enquanto torcedores enfrentavam uma longa espera para entrar no primeiro estádio a sediar partidas em três Copas do Mundo. Lá dentro, milhares cantavam antes do pontapé inicial.

Alejandro Garcia, de 50 anos,  que vestia um sombrero e carregava uma réplica do troféu, disse que estava orgulhoso de o México estar sediando mais uma Copa do Mundo. Ele era uma criança quando o país sediou o torneio pela última vez, em 1986.

“Este é o nosso templo”, disse ele. “Vai ser uma ótima Copa do Mundo, todos os protestos agora serão esquecidos.”

Mas fora do estádio, a cidade de 9 milhões de habitantes permanecia profundamente dividida.

A preparação para o torneio no México, que o país está co-sediando com os EUA e o Canadá, foi marcada por agitação social na capital, à medida que diversos grupos -- de professores a famílias de pessoas desaparecidas na guerra contra as drogas -- marcharam na tentativa de aproveitar os holofotes internacionais para promover suas causas.

Pelo menos seis protestos estavam previstos para esta quinta-feira, com a cidade em um clima de contradição entre celebração e oposição. Murais recém-pintados, novos trens e um estádio reformado com o objetivo de receber turistas para os jogos contrastavam com as barricadas de aço montadas por empresas para se protegerem de manifestantes ao longo da avenida principal da capital.

ACAMPAMENTOS E MARCHAS

A quase 5 km do Azteca, milhares de professores insatisfeitos de todo o país começaram a marchar em direção ao estádio antes da partida.

Avelina Cruz Miguel, que leciona no ensino fundamental há 22 anos, viajou de Oaxaca para protestar por melhores salários. Para ela, os protestos oferecem uma oportunidade para os professores darem voz às suas reivindicações em “nível internacional”. “Não há apoio à educação” no México, disse.

Os professores também acamparam na praça central do Zócalo durante os dias que antecederam o início do torneio.

O acampamento levou autoridades a bloquearem a entrada do Zócalo na véspera da abertura da competição e gerou receios de que a área fosse fechada aos torcedores que planejavam se reunir na praça para assistir ao jogo em um telão.

Barracas se alinhavam nas ruas por vários quarteirões ao redor da praça nesta quinta-feira, mas as autoridades confirmaram que a zona de torcedores estaria aberta.

Mario Martínez, 30 anos, de Tijuana, foi um dos primeiros torcedores a entrar com sua namorada. Eles preferiram a zona de torcedores porque os ingressos para o estádio estão muito caros, além da preocupação de que o evento fosse cancelado. “Graças a Deus tudo deu certo.”

Muitos moradores reclamaram que o dinheiro estava sendo gasto para embelezar a cidade para os visitantes, sem resolver os problemas de infraestrutura subjacentes. A quinta-feira foi declarada feriado oficial na Cidade do México, em parte para aliviar as preocupações com o transporte.

Outros chilangos, como são conhecidos os moradores da Cidade do México, reclamaram dos preços exorbitantes dos ingressos, que os impediram de assistir ao espetáculo ao vivo em sua cidade natal. Para a partida de abertura entre México e África do Sul, alguns torcedores entrevistados pela Reuters disseram ter pago US$3.000 ou mais, valor totalmente fora do alcance da maioria dos mexicanos. A Fifa defendeu sua política de preços, afirmando que o custo dos ingressos está em linha com outros grandes eventos esportivos.

“A Fifa só está interessada no lucro”, disse Jonathan Córdoba, de 33 anos, enquanto esperava em uma longa fila para entrar no estádio. Ainda assim, ele diz não se arrepender: “É a paixão!”

(Reportagem de Stephen Eisenhammer, Emily Green, Cassandra Garrison e Sarah Morland na Cidade do México)

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