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Milei faz defesa da recuperação argentina nos EUA enquanto Oriente Médio assusta investidor

Milei faz defesa da recuperação argentina nos EUA enquanto Oriente Médio assusta investidor
Milei faz defesa da recuperação argentina nos EUA enquanto Oriente Médio assusta investidor

Por Rodrigo Campos

NOVA IORQUE, 10 Mar (Reuters) - O presidente da Argentina, Javier Milei, pretende convencer nesta terça-feira os investidores de que a recuperação econômica do país pode se manter no caminho certo, mesmo com a guerra no Irã elevando os preços do petróleo, fortalecendo o dólar e abalando os mercados emergentes.

Milei deverá falar com investidores e executivos na nova sede do JPMorgan em Midtown Manhattan, como parte da "Semana Argentina" -- uma série de eventos em Nova York para convencer os financistas de que o esforço de estabilização do país sul-americano continua gerando investimentos atraentes, apesar do contexto global.

"Estamos falando em criar conexões, estabelecer o ambiente certo para que essas conversas sejam produtivas", disse Manuel Adorni, chefe de gabinete e porta-voz de Milei, dirigindo-se a investidores em uma recepção na noite de segunda-feira, no consulado argentino em Nova York.

"Queremos construir confiança, queremos lançar as bases para que possamos estabelecer um relacionamento de longo prazo."

O apoio do governo dos EUA tornou-se uma parte fundamental dessa estratégia. O governo do presidente Donald Trump apoiou publicamente Milei antes das eleições de meio de mandato na Argentina, em outubro de 2025, e ampliou a cooperação financeira com Buenos Aires. Uma linha de crédito patrocinada pelos Estados Unidos ajudou a evitar uma corrida ao peso antes da votação.

Os dois países estreitaram os laços econômicos em fevereiro, quando assinaram um acordo recíproco de comércio e investimento, concebido para facilitar o investimento norte-americano, inclusive no setor de minerais críticos.

"Eles estão simplesmente reiterando as oportunidades de investimento na Argentina e enviando uma mensagem de estabilidade macroeconômica e política", disse Armando Armenta, economista sênior e estrategista da AllianceBernstein, sobre o roadshow. "É bom que estejam fazendo isso, porque a Argentina está fora dos holofotes há muito tempo."

O governo argentino afirma que cortes agressivos nos gastos públicos, desregulamentação e aperto fiscal estão começando a restaurar a estabilidade macroeconômica, após anos de déficits, crises cambiais e inflação galopante.

Os investidores receberam com cautela os ajustes, que incluíram uma reforma trabalhista aprovada pelo Congresso que representou uma grande vitória legislativa para Milei.

Ainda assim, a Argentina precisa reconstruir suas reservas cambiais, atrair investimentos de longo prazo e recuperar o acesso confiável aos mercados de capitais, após anos de inadimplência e controles de capital -- alguns dos quais ainda estão em vigor.

A Semana Argentina também contará com as presenças do ministro da Economia, Luis Caputo, do presidente do Banco Central, Santiago Bausili, e do ministro da Desregulamentação, Federico Sturzenegger. As autoridades esperam que ela ajude a demonstrar que as reformas estão se traduzindo em oportunidades de investimento, principalmente em setores como energia, mineração, agricultura e tecnologia.

A maior aproximação com os Estados Unidos marca uma mudança após anos em que a China expandiu sua influência econômica pela América do Sul. Ainda assim, o país asiático continua sendo um dos maiores parceiros comerciais da Argentina e um importante credor.

CONDIÇÕES GLOBAIS PODEM DIFICULTAR MENSAGEM

Os preços do petróleo subiram quase 30% neste mês, chegando a cerca de US$90 por barril, em meio aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, enquanto a busca por ativos seguros fortaleceu o dólar e fez alguns investidores se afastarem dos mercados emergentes.

Na semana passada, o índice Merval -- principal referência das ações argentinas -- atingiu seu nível mais baixo desde outubro.

Para Milei, o desafio é convencer os investidores de que as reformas da Argentina merecem atenção, mesmo em meio a uma busca por ativos mais seguros.

(Reportagem de Rodrigo Campos em Nova York)

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