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MP francês pede retirada de revista com fotos do ataque em Nice

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PARIS — O Ministério Público de Paris solicitou nesta quinta-feira a retirada de circulação da edição mais recente da revista Paris Match, que contém imagens das câmeras de segurança do atentado de 14 de julho de 2016 em Nice, que deixou 86 mortos e 450 feridos. Duas associações de vítimas solicitaram na quarta-feira a intervenção da Procuradoria para impedir a publicação da edição desta semana, por considerarem que as imagens atentam contra a dignidade dos mortos no atentado com caminhão cometido no ano passado.

O MP pediu a um tribunal que "determine a retirada da venda" da revista e "proíba sua publicação em todos os formatos, sobretudo digitais". O juiz deve se pronunciar às 12H00 GMT (9H00 de Brasília). A revista mostra imagens do caminhão atropelando a multidão que assistia aos fogos de artifício na orla da Promenade des Anglais. Outras fotos mostram o corpo ensanguentado do autor do ataque, um tunisiano de 31 anos, no veículo, uma selfie do homem fiel ao Estado Islâmico tirada na tarde antes do atentado e uma outra tirada no mesmo local um ano antes.

— (Essas fotos) são um insulto para a dignidade das vítimas — disse Eric Morain, advogado de diversas associações de vítimas — Eles criam uma atmosfera mórbida e voyeurista que não tem nada a ver com a liberdade de informação.

O prefeito de Nice, Christian Estrosi, afirmou que as imagens eram “insuportáveis e desprezíveis”. Em um comunicado, a revista “Paris Match” defendeu as fotos dizendo que elas serviam para informar o público e certificar que as vítimas não foram esquecidas. Na próxima sexta-feira, o atentado completa um ano e acontecerá uma cerimônia de recordação na presença do presidente francês, Emmanuel Macron.

Pelo menos 3 mil pessoas receberam acompanhamento psicológico em Nice desde o ataque, incluindo mais de mil crianças, de acordo com especialistas. Os feridos que foram operados e tratados em Nice estão “bem em sua maioria”, diz o médico Pascal Boileau.

— Entre 10 e 20 pacientes ainda estão em reabilitação. Depois, o grande trabalho é no plano psicológico, porque há muitas sequelas — completou Boileau.

No Hospital Central de Nice, o médico continua a receber novos pacientes, entre cinco e dez a cada semana, tardiamente em busca de consulta.

— Ainda damos atendimento a crianças que desenham cenas violentas, com pessoas cortadas, armas, fogos de artifício com pessoas deitadas embaixo, ou crianças de preto no local do atentado — detalha a médica Florence Askenazy, chefe do Departamento de Psiquiatria Infantil no Hospital Lenval. — Um menino não cresceu um centímetro sequer em um ano.

Os ilesos ficaram traumatizados pelo medo, ou por terem visto os corpos mutilados.

— Muitos não viram o caminhão chegar, por causa da música e da multidão, e muitos devem sua salvação ao acaso, ou a um reflexo, porque virou a cabeça — observa Boileau. — Mesmo quando as imagens são apagadas, eles se queixam de não funcionar como antes, dizem que algo está quebrado, que não conseguem reparar.

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