TORONTO, 2 de julho (Reuters) - Quando a situação ficou crítica, com Portugal empatando em 1 x 1 com a Croácia pelos 16 avos de final da Copa do Mundo nesta quinta-feira, o técnico Roberto Martínez finalmente fez o que muitos vinham pedindo durante o torneio: tirou Cristiano Ronaldo de campo.
O maior artilheiro da história da seleção portuguesa na Copa do Mundo havia empatado a partida com um pênalti, mas não conseguiu esconder sua decepção ao ser substituído a menos de 10 minutos do fim, com as esperanças da sua equipe no torneio penduradas por um fio.
Ronaldo, de 41 anos, tornou-se o jogador mais velho a marcar em um jogo de mata-mata da Copa do Mundo ao converter o pênalti do empate de Portugal aos 23 minutos do segundo tempo de uma partida emocionante, antes do reserva Gonçalo Ramos marcar o gol da vitória de cabeça nos acréscimos.
Foi o primeiro gol de Ronaldo na fase eliminatória de uma Copa do Mundo, mas Martínez decidiu dar mais vigor ao meio-campo, que estava com dificuldades, ao retirar o seu craque — uma decisão que ameaçava transformar o técnico em herói ou vilão, dependendo do resultado.
O pênalti foi o único toque de Ronaldo dentro da área adversária nos 81 minutos em que esteve em campo.
“Acho que a equipe fez as substituições, entramos para pressionar para marcar, e era isso que sabíamos, e no final... o técnico agiu muito bem”, disse Ramos,
Ao longo do torneio, as atuações mornas de Ronaldo foram alvo de intenso debate.
Com exceção da goleada de 5 x 0 sobre o Uzbequistão, quando marcou dois gols e ultrapassou Eusébio como maior artilheiro de Portugal na Copa do Mundo, Ronaldo não conseguiu ser uma ameaça muito grande no terço final do gramado.
O empate sem gols contra a Colômbia, que deixou Portugal em segundo lugar no grupo, reacendeu as críticas sobre a falta de contribuição de Ronaldo durante as partidas, especialmente o seu trabalho defensivo limitado quando o resto da equipe volta para marcar.
Mas com a partida de quinta-feira em jogo, e Ronaldo sem oferecer muito perigo, Martínez substituiu seu capitão por Rúben Neves para reforçar um meio-campo que havia sido dominado em alguns momentos do segundo tempo — o que colocou pressão sobre a equipe, disse Ramos.
“É difícil porque é um jogo em que, se você não vencer, vai para casa”, acrescentou Ramos. “Mas, para mim, especialmente, adoro esse tipo de momento, adoro esse tipo de jogo, quero jogar todas as partidas assim, quero estar nos momentos decisivos.”
Resta saber o que acontecerá da próxima vez que Portugal precisar de inspiração, mas Ronaldo terá pelo menos mais uma partida na busca pelo seu primeiro título da Copa do Mundo e, possivelmente, deixará o espanhol Martínez diante de outra grande decisão.
A próxima adversária é a Espanha, pelas oitavas de final, na segunda-feira.
(Reportagem de Michael Kahn)



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