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O gol econômico que nunca aconteceu: Copa do Mundo não conseguiu impulsionar o México

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O gol econômico que nunca aconteceu: Copa do Mundo não conseguiu impulsionar o México
O gol econômico que nunca aconteceu: Copa do Mundo não conseguiu impulsionar o México

Por Noe Torres

CIDADE DO MÉXICO, 17 de julho (Reuters) - A Copa do Mundo lotou os estádios e deixou milhões de torcedores eufóricos no México, mas não conseguiu impulsionar uma economia em desaceleração, sobrecarregada pela falta de investimentos e pela incerteza em relação à próxima revisão do acordo comercial norte-americano (USMCA).

O torneio, que termina neste domingo após mais de um mês de partidas também realizadas no Canadá e nos Estados Unidos, teve o México como sede de 13 dos 104 jogos. No entanto, ficou aquém das ambiciosas metas oficiais de turismo destinadas a impulsionar o produto interno bruto (PIB), que sofreu contração no primeiro trimestre.

“A Copa do Mundo não mudará estruturalmente a trajetória da economia mexicana”, afirmou Humberto Calzada, economista-chefe da Rankia.

Calzada observou que o torneio oferece apenas um estímulo de curto prazo para uma economia que o governo espera que cresça entre 1,8% e 2,8% este ano, em comparação com as previsões dos analistas de 1,1%.

O impacto econômico foi altamente localizado. O Banorte reduziu sua estimativa da contribuição da Copa do Mundo para o PIB para entre 0,4% a 0,5% de uma previsão anterior de até 0,62%.

O Banamex calculou o impacto econômico total em 2 bilhões de dólares — cerca de 0,1% do PIB e menos da metade dos 5,6 bilhões de dólares que o México recebeu em remessas somente em maio.

A Deloitte projetou que a competição gerou 100 mil empregos temporários, 10% a menos do que sua estimativa anterior. Enquanto isso, o BBVA informou que seu indicador de consumo das famílias caiu 0,2% em junho, em relação ao mês anterior, com os gastos em hotéis caindo 10,5% e em restaurantes, 4,9%, apesar de um aumento de 16,5% no setor de entretenimento.

Os benefícios foram desiguais entre as sedes de Cidade do México, Guadalajara e Monterrey. A Associação Mexicana de Restaurantes informou que metade de seus estabelecimentos teve um desempenho pior do que em uma semana normal devido à baixa ocupação hoteleira e aos protestos locais na capital.

Dados sobre o transporte aéreo também foram mistos. O tráfego de passageiros aumentou ligeiramente em junho em Guadalajara e Monterrey, mas caiu no principal aeroporto da Cidade do México.

Analistas afirmam que o principal impulsionador da economia mexicana continua fora dos estádios: a certeza comercial proporcionada pelo USMCA.

Com as empresas adiando investimentos antes da revisão do pacto comercial e a economia contraindo 0,6% no primeiro trimestre, o FMI reduziu recentemente a previsão de crescimento do México de 1,6% para 1,2%.

(Reportagem de Noe Torres)

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