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OBITUÁRIO-"Mão Santa", Oscar Schmidt foi um dos maiores da história do basquete mesmo tendo recusado NBA

Reuters

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO, 17 Abr (Reuters) - Oscar Schmidt tornou-se uma lenda do basquete mundial mesmo sem jamais ter disputado uma partida sequer na NBA, a principal liga do esporte no mundo, sendo reconhecido inclusive nos Estados Unidos como um ícone da modalidade e induzido ao Hall da Fama.

Um dos maiores pontuadores da história do basquete mundial -- somente em 2024 perdeu o posto de maior cestinha de todos os tempos para LeBron James -- Oscar morreu nesta sexta-feira, aos 68 anos, após sofrer um mal-estar e ser levado às pressas para um hospital de São Paulo.

Em 2011 Oscar teve diagnosticado um câncer no cérebro, mas 11 anos depois ele anunciou que estava interrompendo o tratamento com quimioterapia pois, em suas palavras, "eu matei o câncer".

Nascido em Natal (RN), Oscar brilhou com as camisas de times do Brasil e da Europa, mas foi pela seleção brasileira que ele conquistou seus principais recordes e colocou seu nome na história como o maior cestinha de todos os tempos dos torneios masculinos de basquete nas Olimpíadas.

Foi com a camisa amarela do Brasil que Oscar conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, disputados em Indianápolis, justamente em uma final contra a poderosa seleção dos Estados Unidos, que dominava a categoria e jogava em casa.

Com arremessos certeiros de trás da linha de três pontos, o Brasil impôs aos EUA sua primeira derrota em casa e, de quebra, mudou a maneira que os arremessos de longa distância eram tratados nas estratégias das partidas. O Brasil venceu por 120 a 115, com Oscar anotando 46 pontos naquela partida e sendo o principal cestinha do Pan.

"Ficamos atrás nos primeiros dois quartos, mas ganhamos os dois seguintes e, no final, vencemos por 120 a 115. Fiz 46 pontos nessa final e 249 nos sete jogos do Pan... A linha de três pontos ainda tinha um pouco de novidade", disse Oscar em entrevista ao portal R7 em 2022.

A precisão nos arremessos lhe rendeu o apelido de "Mão Santa", que ele fazia questão de contestar sempre que podia. "Mão Santa, não. Mão treinada", repetia, lembrando as horas que passava em quadra treinando arremessos dos mais diversos ângulos e distâncias.

NBA RECUSADA

Antes mesmo de superar os EUA no Pan, Oscar já chamava atenção do país do basquete. Foi escolhido pelo então New Jersey Nets, atualmente Brooklyn Nets, no draft de 1984 e chegou a treinar com a equipe, mas não assinou contrato para atuar na liga, pois naquela época atletas que atuavam na NBA não podiam defender suas seleções.

"Eles me ofereceram um contrato para jogar no New Jersey Nets, e eu disse: 'Muito obrigado, mas se jogar um jogo aqui, eu nunca mais vou poder jogar pela minha seleção'. Essas eram as regras, caso vocês não saibam", disse ele em seu discurso quando entrou no Hall da Fama do basquete em 2013, apresentado pela lenda Larry Bird, a quem chamou de "ídolo".

Tornou-se amigo de outra lenda do basquete, Kobe Bryant, que morreu em um acidente de helicóptero em 2020. Kobe admirava Oscar quando pequeno em uma época em que morava na Europa e seu pai jogava com Oscar na liga italiana.

Pelo Brasil, além do Pan de 1987, disputou as Olimpíadas de Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996.

No basquete brasileiro, depois de iniciar a carreira no Palmeiras e fazer história com a camisa do Sírio, retornou ao país em 1995, depois de uma longa temporada no basquete europeu, e defendeu as cores das duas maiores torcidas do Brasil: Corinthians e Flamengo.

(Edição de Pedro Fonseca)

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