Por Timour Azhari
RIAD, 28 Jul (Reuters) - Omã apresentou ao Irã uma proposta para a criação de um mecanismo regional conjunto para a gestão do Estreito de Ormuz, com taxas voluntárias, informou uma fonte do Golfo Pérsico à Reuters nesta terça-feira.
De acordo com a proposta de Omã, que conta com apoio regional e foi apresentada a autoridades iranianas no fim de semana em Teerã, o Irã não exerceria o controle exclusivo dessa via navegável vital, acrescentou a fonte.
A proposta se baseia no Estreito de Malaca, que liga os oceanos Índico e Pacífico e é administrado em conjunto pelos países que fazem fronteira com ele: Indonésia, Malásia e Cingapura.
De acordo com a proposta, aqueles que utilizam o Estreito de Ormuz contribuiriam voluntariamente para um fundo que financiaria os custos de gestão da navegação, proteção ambiental e busca e resgate, entre outros serviços.
A gestão do Estreito de Ormuz — que transportava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito globais antes da guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã — tornou-se o principal obstáculo nas negociações para pôr fim à guerra e um ponto de tensão que leva a repetidos retornos ao conflito.
O Irã afirmou que o estreito não pode voltar à situação pré-guerra, em que a navegação fluía livremente, enquanto os países do Golfo Pérsico insistem que não haja pagamento obrigatório de taxas ao Irã.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, discutiu a questão do Estreito de Ormuz com seus homólogos de Omã e da Arábia Saudita na segunda-feira.
“Ele enfatizou a necessidade de fortalecer a cooperação e avançar nos esforços diplomáticos conjuntos para estabelecer a estabilidade na região e eliminar a insegurança imposta ao Estreito de Ormuz devido às ações agressivas dos Estados Unidos”, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na segunda-feira que os Estados Unidos estão tendo “boas conversas” com o Irã e que há uma chance de um acordo, mas alertou que os ataques norte-americanos seriam retomados caso as negociações não deem resultado.
(Reportagem de Timour Azhari)



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