8 Abr (Reuters) - As Nações Unidas condenaram, nesta quarta-feira, a intensa onda de ataques israelenses em todo o Líbano apenas algumas horas após o cessar-fogo com o Irã, afirmando que os relatos de que centenas de pessoas, incluindo civis, foram mortas e feridas são "chocantes".
Os ataques de Israel no Líbano foram os mais pesados desde o início do conflito com o Hezbollah, no mês passado, mesmo com a pausa nas ofensivas do grupo aliado ao Irã contra o norte de Israel e tropas israelenses no Líbano, sob um cessar-fogo de duas semanas mediado por EUA e Irã.
"A escala da matança e da destruição no Líbano hoje é nada menos que horrível", disse o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, em um comunicado.
"Essa carnificina, poucas horas após o acordo de cessar-fogo com o Irã, é inacreditável. Isso coloca uma enorme pressão sobre uma paz frágil, que é tão desesperadamente necessária para os civis", acrescentou.
Segundo Turk, uma equipe de direitos humanos da ONU no local de um dos ataques na capital descreveu uma cena de devastação e diversos cadáveres em meio aos escombros.
Israel afirmou que tinha como alvo mais de 100 centros de comando do Hezbollah, com instalações militares em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do Líbano.
As autoridades de defesa civil do Líbano relataram que o número de mortos nos ataques israelenses em todo o Líbano nesta quarta-feira subiu para 254.
Turk disse que um ataque israelense durante a noite em um prédio em frente ao Hospital Hiram em Al-Aabbassiye, perto de Tyre, teria matado quatro pessoas e danificado o hospital. Outro ataque atingiu uma ambulância da Autoridade Islâmica de Saúde em Qlaileh, supostamente matando três pessoas.
"O direito humanitário internacional afirma claramente que os civis e a infraestrutura civil devem ser protegidos", disse. "Deve haver investigações imediatas e independentes sobre todas as supostas violações, e os responsáveis devem ser levados à justiça."
(Reportagem de David Brunnstrom)



