Por Marco Aquino
LIMA, 16 Abr (Reuters) - O parlamentar de esquerda Roberto Sánchez e o ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga, de extrema direita, disputavam nesta quinta-feira voto a voto a outra vaga para enfrentar a conservadora Keiko Fujimori no segundo turno da eleição presidencial peruana em junho.
Sánchez tinha uma vantagem de menos de 10.000 votos sobre López Aliaga, com 93% das cédulas apuradas, enquanto os resultados continuavam a chegar ao escritório eleitoral da ONPE do Peru cinco dias após a votação de domingo, que foi estendida até segunda-feira para acomodar milhares de pessoas que não puderam votar no fim de semana.
Sánchez tinha 11,98% dos votos, em comparação com os 11,92% de López Aliaga, enquanto Keiko -- a filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, que está em sua quarta candidatura ao cargo -- mantinha uma liderança confortável com 17,07%.
O segundo turno está agendado para 7 de junho.
A contagem de votos prolongada provocava alegações de fraude, principalmente por parte de López Aliaga, que pediu a suspensão da contagem.
O partido de López Aliaga ofereceu 20.000 soles (cerca de US$ 5.830) aos funcionários eleitorais como recompensa por informações sobre "possíveis irregularidades, fraude ou sabotagem".
Ele não apresentou provas para respaldar suas afirmações, e os observadores da União Europeia disseram que não encontraram nenhuma prova concreta de fraude.
Keiko Fujimori pediu calma.
"Optei por não comentar até que haja um progresso significativo na contagem", disse Keiko em uma coletiva de imprensa na noite de quarta-feira. "O resultado será muito próximo. Cada voto contará, e o resultado ainda não está decidido."
Pesquisas pré-eleitorais sugeriram que um grande número de eleitores estava indeciso ou não estava disposto a votar em nenhum candidato na disputa, na qual concorreram um número recorde de 34 candidatos.
Os mercados reagiram com nervosismo ao fato de Sánchez estar ganhando terreno.
Ele prometeu uma nova Constituição e mais controle estatal sobre os recursos naturais e é um aliado do ex-presidente Pedro Castillo, que foi deposto e preso em 2022 após um curto período na Presidência.
O Peru, um grande exportador de cobre e produtos agrícolas, tem enfrentado anos de agitação política com oito presidentes na última década. Vários de seus ex-líderes estão atrás das grades.
Apesar disso, há muito tempo o país é uma das economias mais estáveis da América Latina.
Alvaro Henzler, que dirige a Transparencia, uma ONG de monitoramento de eleições, disse à rádio local RPP que pode levar algumas semanas para se obter os resultados completos, já que a maioria dos votos não contados vem de áreas rurais de esquerda e do exterior, onde os emigrantes tendem a apoiar partidos de direita.
"A Transparencia está pedindo calma e pedindo às pessoas que esperem", disse ele.



