Por Nidal al-Mughrabi e Ali Sawafta
CAIRO/CAIS OCIDENTAL, 26 Abr (Reuters) - Os partidários do presidente Mahmoud Abbas venceram a maioria das eleições municipais palestinas, disseram autoridades eleitorais neste domingo, em uma votação que, pela primeira vez em quase duas décadas, incluiu uma cidade na Faixa de Gaza governada pelo grupo rival Hamas.
A votação de sábado marcou as primeiras eleições de qualquer tipo em Gaza desde 2006 e as primeiras eleições palestinas desde o início da guerra em Gaza, há mais de dois anos, com o ataque transfronteiriço do Hamas ao sul de Israel.
A Autoridade Palestina (AP), sediada na Cisjordânia e liderada por Abbas, afirmou que a inclusão da cidade de Deir al-Balah, em Gaza, que sofreu menos danos do que outras áreas do território costeiro durante a guerra, teve como objetivo demonstrar que Gaza é parte inseparável de um futuro Estado palestino.
As eleições, que registraram baixa participação eleitoral, ocorreram "em um momento extremamente delicado, em meio a desafios complexos e circunstâncias excepcionais", afirmou o primeiro-ministro palestino, Mohammad Mustafa, após a divulgação dos resultados no domingo.
Mas representaram "um primeiro passo importante num processo nacional mais amplo destinado a fortalecer a vida democrática... e, em última instância, alcançar a unidade da pátria", afirmou.
APOIO AO HAMAS
O Hamas, que expulsou a Autoridade Palestina de Gaza em 2007, não indicou formalmente candidatos em Gaza e boicotou a eleição na Cisjordânia ocupada por Israel, onde a vitória do Fatah era amplamente esperada.
No entanto, alguns candidatos em uma das listas de Deir al-Balah eram amplamente vistos por moradores e analistas como alinhados ao movimento, tornando a votação um potencial indicador de apoio ao grupo islâmico.
Os resultados preliminares mostraram que a lista, conhecida como Deir al-Balah nos une, conquistou apenas duas das 15 cadeiras disputadas em Gaza.
A lista Nahdat Deir al-Balah, apoiada pelo partido Fatah de Abbas e pela Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente, garantiu seis cadeiras. As cadeiras restantes foram conquistadas por dois outros grupos sediados em Gaza, Futuro de Deir al-Balah e Paz e Construção, não afiliados a nenhuma das facções.
Os partidários de Abbas varreram as eleições na Cisjordânia, concorrendo sem oposição em muitas circunscrições.
O porta-voz do Fatah, Abdul Fattah Dawla, observou que a participação foi semelhante à das últimas eleições municipais na Cisjordânia, em 2022, elogiando os eleitores por participarem apesar da violência contínua por parte de Israel.
"Ao elegerem figuras ligadas ao Fatah, os eleitores parecem estar buscando apoio internacional irrestrito para a governança municipal e uma mudança política gradual que pode se estender além do nível local", disse a analista política palestina Reham Ouda.
A recente guerra deixou grande parte de Gaza reduzida a escombros, com muitos moradores deslocados e focados na sobrevivência. Israel continuou realizando ataques apesar do cessar-fogo de outubro.
Em Gaza, a participação eleitoral atingiu apenas 23%, enquanto na Cisjordânia foi de 56%, de acordo com o presidente da Comissão Eleitoral Central, Rami al-Hamdallah.
Al-Hamdallah afirmou que algumas urnas e equipamentos de votação não chegaram ao enclave devido a restrições de segurança israelenses, embora esses desafios tenham sido superados.
O porta-voz do Hamas em Gaza, Hazem Qassem, minimizou a importância dos resultados eleitorais, afirmando que eles não tiveram impacto em questões nacionais mais amplas.



