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Peru prorroga votação com a conservadora Keiko Fujimori à frente na corrida presidencial

Reuters
Peru prorroga votação com a conservadora Keiko Fujimori à frente na corrida presidencial
Peru prorroga votação com a conservadora Keiko Fujimori à frente na corrida presidencial

Por Lucinda Elliott e Marco Aquino

LIMA, 13 Abr (Reuters) - Quase metade da contagem oficial de votos do Peru permanecia pendente nesta segunda-feira, enquanto crescia a frustração com os problemas generalizados nas eleições gerais de domingo, com a conservadora Keiko Fujimori na liderança e a probabilidade crescente de um segundo turno em junho.

Em Lima, longas filas se formaram do lado de fora das seções eleitorais enquanto os eleitores voltavam para votar para presidente e para um novo Congresso bicameral depois que suas cédulas não chegaram no dia anterior.

A contagem oficial da autoridade eleitoral ONPE mostrava que a ex-congressista Keiko Fujimori -- filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que foi preso por violações dos direitos humanos -- estava liderando com cerca de 17% dos votos, seguida pelo ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, de direita, com cerca de 15%, e pelo candidato de centro-esquerda Jorge Nieto, em terceiro lugar, com cerca de 14%. Pouco mais de 54% dos votos foram apurados.

Sem um líder claro e sem nenhum dos principais candidatos perto dos 50% necessários para vencer com folga, um segundo turno em 7 de junho parece altamente provável, prolongando a incerteza política no terceiro maior produtor de cobre do mundo em meio ao aumento dos níveis de criminalidade e à intensificação da concorrência geopolítica entre os Estados Unidos e a China.

O horário de votação foi prorrogado por mais um dia, até as 18h no horário local (20h no horário de Brasília) desta segunda-feira, para mais de 50.000 pessoas que não puderam votar no domingo. A abertura de algumas seções eleitorais foi adiada em algumas áreas da capital Lima devido a problemas logísticos que as autoridades atribuíram à distribuição dos materiais de votação.

José Samame, diretor administrativo da ONPE, aceitou a responsabilidade pelos atrasos, pediu demissão e foi posteriormente detido pela polícia em meio a uma investigação sobre as falhas.

Em uma seção eleitoral no distrito de San Juan de Miraflores, em Lima, Angela Rios voltou para outro dia de longas filas.

"Isso é uma injustiça", disse ela enquanto esperava para votar. "Ontem esperamos na fila e hoje todos nós temos que trabalhar. Ninguém vai nos compensar pelo nosso dia."

A autoridade eleitoral esperava ter 60% dos resultados até a meia-noite de domingo, um nível que ainda não foi alcançado, deixando em aberto a possibilidade de uma forte oscilação à medida que os votos do interior do país forem contados.

As cédulas de Lima, que normalmente chegam primeiro, representam cerca de um terço do eleitorado, onde tanto Fujimori quanto López Aliaga têm fortes bases de apoio.

Com margens tão apertadas e qualquer um de quatro candidatos com chance de chegar ao segundo turno, as falhas logísticas correm o risco de alimentar as alegações de fraude, disse Nicholas Watson, da consultoria Teneo.

"Qualquer candidato que perder por pouco o segundo lugar poderá argumentar que perdeu a vaga no segundo turno por causa da incompetência da ONPE", disse Watson.

Keiko Fujimori disse que ainda há "muito caminho a percorrer" e um grande sentimento de desilusão à medida que o país se aproxima do segundo turno, falando aos jornalistas de seu carro nesta segunda-feira, a caminho de um encontro com suas filhas.

López Aliaga, o rosto do partido Renovação Popular, conhecido pelo apelido de "Porky", em homenagem ao personagem de desenho animado Porky Pig, disse que não permitiria uma "fraude brutal", argumentando que a maioria das seções eleitorais que não funcionaram estava em Lima, onde seu apoio é tradicionalmente mais forte.

Nieto, que estava em terceiro lugar nas contagens parciais, é um ex-ministro de centro-esquerda cujo apoio vinha crescendo nas pesquisas pré-eleitorais.

INSTABILIDADE POLÍTICA

As pesquisas de boca de urna no domingo colocaram Keiko na liderança, embora López Aliaga tenha passado brevemente à frente no início da contagem oficial, ressaltando o quanto a disputa continua acirrada e fluida.

Anos de turbulência política na nação andina corroeram a confiança nas instituições e deixaram muitos eleitores profundamente desiludidos.

Desde 2018, o Peru teve oito presidentes, o que alimenta o ceticismo de que qualquer nova administração durará um mandato completo de cinco anos em meio a repetidos impeachments, escândalos de corrupção e frágeis coalizões de governo.

Várias associações empresariais expressaram preocupação com a incerteza eleitoral.

"Esses incidentes afetam não apenas a eleição presidencial, mas também a corrida ao Senado e as eleições para outras autoridades", disse a principal associação empresarial que representa o setor privado do Peru, a Confiep, em um comunicado nesta segunda-feira.

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