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Petrobras amplia oferta de diesel e gasolina a distribuidoras via contratos

Petrobras amplia oferta de diesel e gasolina a distribuidoras via contratos
Petrobras amplia oferta de diesel e gasolina a distribuidoras via contratos

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 26 Mar (Reuters) - A Petrobras ampliou a oferta de gasolina e diesel aos seus clientes para entrega em abril, dentro da dinâmica de atendimento de contratos comerciais, após distribuidores terem alertado para riscos de abastecimento com a recente disparada nos preços do petróleo.

Em nota nesta quinta-feira, a companhia confirmou reportagem da Reuters publicada na quarta-feira.

Os volumes adicionais que serão incorporados a compromissos assumidos para o próximo mês junto a distribuidoras somam 70 milhões de litros de diesel S10 e 95 milhões de litros de gasolina, disse a Petrobras, nesta quinta-feira.

A decisão da Petrobras por ampliar as entregas via contratos ocorre após a reguladora ANP ter notificado a companhia na semana passada para que ela ofertasse "imediatamente" volumes referentes a leilões de combustíveis da estatal que haviam sido cancelados.

A oferta via contratos existentes permitirá que os preços cobrados sejam mais baixos do que se de fato fossem levados a leilões, disseram fontes do mercado à Reuters, em medida que ajuda atenuar efeitos de alta de preços nas bombas em meio a disparada dos valores internacionais.

Alguns leilões realizados pela Petrobras em março chegaram a negociar diesel entre R$1,80 e R$2,00 por litro acima do preço de referência nas refinarias da própria companhia, disseram entidades do setor de combustíveis em uma nota na semana passada.

A paralisação dos certames, feita sem explicação no início da semana passada, havia acendido um alerta vermelho para o mercado, que via riscos ao abastecimento nacional de combustíveis, principalmente para abril, enquanto havia um cenário indefinido de estoques e prazo curto para importações.

RISCOS AO ABASTECIMENTO

Os riscos ao abastecimento, sobretudo de diesel, têm sido levantados uma vez que o mercado brasileiro é atendido com cerca de 25% de produto importado e a Petrobras tem mantido seus preços com ampla defasagem ante o combustível no exterior ao longo de março, tornando-se arriscado para que muitos agentes realizem importações.

A Petrobras também enfrenta impedimentos estatutários para que possa vender seus produtos no mercado interno com prejuízo.

No fechamento de quarta-feira, o preço médio do diesel da Petrobras vendido em suas refinarias estava cerca de 60% abaixo do preço de paridade de importação, segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

Fontes da Petrobras afirmaram que a companhia está comprometida em não deixar um desabastecimento acontecer, nem que para isso precise aumentar as importações para atender o mercado interno.

"A Petrobras não vai deixar faltar, e se precisar vai importar mais", disse uma fonte da empresa, na condição de anonimato.

"As importações têm que ser planejadas, ainda mais em tempos de guerra, não se dá de uma hora pra outra. Mas não haverá falta e importar é um caminho", adicionou uma segunda fonte da estatal.

Na tentativa de controlar os preços do diesel, o governo brasileiro eliminou os impostos federais sobre o diesel, e a ANP tem conduzido uma campanha para combater a cobrança abusiva de preços nos postos.

A alta é vista como uma grande preocupação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição neste ano.

(Por Marta Nogueira; reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier; edição de Roberto Samora)

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