PYEONGCHANG — O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, planeja visitar a Coreia do Norte após o encerramento dos Jogos de Inverno de Pyeongchang, num movimento para cimentar as relações com o isolado país que usou o evento esportivo para reatar o diálogo político com a vizinha Coreia do Sul.
Em entrevista à Reuters, Bach faria a visita como resposta a um convite, que fez parte do acordo entre o comitê e as duas Coreias. As datas ainda estão sendo discutidas. Os jogos de inverno terminam no próximo dia 25.
— Todas as partes preocupadas receberam bem este convite à Coreia do Norte — disse Bach. — Nós estamos conversando sobre esta data conveniente para continuar os diálogos na parte esportiva. Veremos quando irá acontecer.
A abertura desta edição dos Jogos Olímpicos de Inverno foi, como sempre, uma linda festa, mas o destaque foi a reaproximação entre as duas Coreias, tecnicamente em guerra desde a década de 1950. Líderes dos dois países trocaram cumprimentos e sorrisos, e atletas sul e norte-coreanos marcharam juntos. O time de hóquei feminino contou com jogadoras das duas Coreias.
A Coreia do Norte aceitou participar do evento esportivo após convite de Seul e do Comitê Olímpico Internacional, como um gesto de paz. Moon Jae-in, presidente da Coreia do Sul, tem utilizado a Olimpíada nos seus esforços de quebrar o gelo com os vizinhos e abrir caminho para conversas sobre o programa nuclear de Kim Jong-un.
— Agora é para a política assumir — disse Bach, à Associated Press. — Vocês sabem que o esporte não pode criar a paz. Nós não podemos liderar as negociações políticas. Nós enviamos a mensagem, do diálogo, de que negociações podem levar a resultados positivos.
O reatamento do diálogo entre as duas Coreias durante os Jogos de Inverno foi particularmente emocionante para Bach. Nascido na Alemanha Ocidental, o dirigente foi medalhista de ouro em esgrima quando a Alemanha era dividida pelo muro.
O Comitê Olímpico e as duas Coreias assinaram um acordo no dia 20 de janeiro, em Lausanne, ajustando os detalhes para a participação norte-coreana. Além de atletas e uma equipe de torcedoras, Pyongyang enviou uma delegação política liderada por Kim Yo-jong, irmã de Kim Jong-un, e convidou o presidente sul-coreano para um encontro.

