Por Elizabeth Piper e Kate Holton e Sam Tabahriti
LONDRES, 22 Jun (Reuters) - O primeiro-ministro Keir Starmer anunciou nesta segunda-feira que renunciará ao cargo, com um novo líder sendo empossado até o retorno do Parlamento em setembro, abrindo caminho para que o Reino Unido tenha seu sétimo líder em 10 anos.
Menos de dois anos após ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições, que prometia pôr fim ao caos na política britânica, Starmer afirmou que estava claro que seu partido queria que ele se afastasse.
Ele disse que as indicações para quem vier a substituí-lo serão abertas em 9 de julho. No entanto, seu rival Andy Burnham é o claro favorito.
"A questão que meu partido está levantando agora é se eu sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa pergunta e aceito essa resposta com dignidade", disse ele.
PRESSÃO VINHA SE ACUMULANDO HÁ MESES
A ameaça a Starmer, que vinha se intensificando há meses, aumentou drasticamente na sexta-feira, quando Burnham, prefeito da Grande Manchester, venceu de forma decisiva uma eleição parlamentar para retornar a Westminster, derrotando um candidato do partido Reform UK, de Nigel Farage, que lidera as pesquisas de opinião nacionais há mais de um ano.
Essa vitória deu esperança aos parlamentares trabalhistas de que Burnham, político de carreira conhecido por suas habilidades de comunicação, pudesse transformar a sorte de um partido que perdeu apoio sob a liderança de Starmer, cujos índices de popularidade caíram para o nível mais baixo já registrado por qualquer líder britânico.
Starmer agradeceu aos pares pelo apoio, com a voz embargada pela emoção ao prestar homenagem também à esposa e aos filhos.
A libra e os títulos do governo britânico permaneceram estáveis logo após o anúncio de Starmer, que era amplamente esperado pelos investidores.
Apesar da tentativa de uma transição tranquila, a mudança não está isenta de riscos.
Além de afirmar que o país precisa de mudanças fundamentais e de reduzir o custo de vida, Burnham ainda não deixou clara sua abordagem em relação às relações exteriores, à economia e à defesa.
Assim como Starmer, ele pode descobrir que tem pouca margem de manobra, cercado por investidores do mercado de títulos que se opõem a qualquer endividamento adicional e confrontado por um eleitorado indignado que acredita que o país não está funcionando adequadamente.
O Reino Unido já tem os custos de endividamento mais altos entre as nações ricas do Grupo dos Sete devido à sua elevada dívida e aos pagamentos de juros, aos anos de crescimento econômico anêmico, às dificuldades para cortar gastos e à necessidade de investir em áreas como a defesa.
(Escrito por Kate Holton; reportagem adicional de David Milliken, Sam Tabahriti e William James)




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