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Rekdal, herói da Noruega em 1998, vê Brasil dominado pelo medo de outra derrota surpreendente

Reuters

Por Tommy Lund

3 Jul (Reuters) - O Brasil, e não a Noruega, carregará o fardo mais pesado quando as duas seleções se enfrentarem nas oitavas de final da Copa do Mundo no domingo, segundo Kjetil Rekdal, cujo pênalti no final da partida selou uma das maiores vitórias da história do esporte norueguês contra os então tetracampeões mundiais em 1998.

“O Brasil definitivamente terá a maior pressão sobre si no domingo”, disse Rekdal à Reuters, afirmando que o tão esperado retorno da Noruega ao mata-mata da Copa do Mundo já havia tornado este torneio um sucesso para a equipe, enquanto qualquer resultado que não for a vitória para o Brasil será visto como uma humilhação nacional.

No papel, é um confronto desigual: os pentacampeões mundiais contra uma nação que encerra um jejum de 28 anos sem participar de um Mundial. Mas o Brasil enfrentou a Noruega quatro vezes e nunca venceu, e o último confronto entre as duas seleções na Copa do Mundo continua sendo uma das memórias esportivas mais queridas da Noruega.

Rekdal converteu com frieza um pênalti aos 44 minutos do segundo tempo no Stade Vélodrome, em Marselha, garantindo a vitória por 2 x 1 sobre um Brasil já classificado em 1998 e levando a Noruega para a fase eliminatória.

Ele acredita que esse resultado, e o histórico do Brasil sem vitórias contra a Noruega, ainda podem estar presentes na mente dos adversários.

“Esse medo sempre estará presente — o receio de que eles venham a tropeçar contra a Noruega mais uma vez”, disse ele.

“MUITO BOM TRABALHO”

Para a nova geração da Noruega, liderada por Erling Haaland, Martin Odegaard e Antonio Nusa, 1998 era história, e não um fardo, disse ele.

“Não acho que Haaland e Odegaard estejam pensando na vitória da Noruega sobre o Brasil em 1998”, disse Rekdal. “Eles não precisam dos fantasmas do passado para acreditar que estão à altura dos pentacampeões mundiais; sua realidade cotidiana no topo absoluto do futebol de clubes europeu já lhes ensinou isso.”

O progresso da Noruega, disse Rekdal, não foi simplesmente resultado de uma safra de jogadores talentosos, mas de um trabalho de longo prazo em todo o sistema de futebol do país.

“Muito trabalho de qualidade vem sendo feito no futebol norueguês há muitos anos, com treinamento sistemático, surgimento de academias, melhores treinadores e orientação dos jogadores desde cedo”, disse ele.

“O trabalho que está sendo feito é muito sólido, e os bons jogadores são contratados por clubes estrangeiros bem cedo, de modo que dão o próximo passo quando estão prontos.”

Rekdal disse que a geração atual, formada em torno de jogadores que atuam regularmente no mais alto nível da Europa, é mais forte do que a seleção da Noruega que chegou às oitavas de final na França há 28 anos.

O Brasil ainda é o favorito, disse ele, mas o ataque da Noruega dará à equipe europeia uma chance de causar outra zebra. Haaland se tornou um dos atacantes mais temidos do futebol mundial, enquanto a criatividade de Odegaard e a velocidade de Nusa oferecem à Noruega uma ameaça muito diferente daquela equipe disciplinada e especializada em contra-ataques que frustrou o Brasil em 1998.

Atualmente técnico do Aalesund FK, clube da primeira divisão norueguesa, e atuando como comentarista da Copa do Mundo, Rekdal assistirá do estúdio enquanto a Noruega tenta repetir o resultado que o transformou em herói nacional.

Sua previsão é inequívoca. “Dois a um para a Noruega”, disse ele. “A história se repete no futebol. Na verdade, isso acontece com bastante frequência.”

(Reportagem de Tommy Lund, em Gdansk)

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