Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 21 Mai (Reuters) - A safra de café arábica do Brasil em 2026/27, com colheita em fase inicial, dará um salto de 27,5% ante o ciclo anterior, para 48,7 milhões de sacas de 60 kg, mas não será recorde, avaliou o banco Rabobank, após realizar um levantamento nas áreas produtivas.
Contudo, considerando o volume total, que soma arábica a grãos canéforas (robusta e conilon), o país -- maior produtor e exportador global de café -- marcaria sim uma máxima histórica, disse o analista de café do Rabobank, Claudio Delposte, à Reuters.
Para os canéforas, o Rabobank projeta 24,6 milhões de sacas, 1 milhão de sacas abaixo do histórico volume do ciclo passado, enquanto o total somado com arábica seria de 73,3 milhões de sacas, aumento de 9,5 milhões ante o ciclo passado.
"As condições hídricas no cinturão cafeeiro foram significativamente mais favoráveis em comparação ao ano anterior, com boa distribuição de chuvas em todas as regiões produtoras", disse o analista de café do Rabobank, que participa nesta quinta-feira de seminário internacional em Santos (SP).
"Esse cenário contribuiu para o registro de uma safra recorde, além dos grãos estarem com ótimo desenvolvimento e quase não apresentando defeitos", afirmou.
A visão do banco de que o arábica não verá um recorde está alinhada com a de produtores e também com a estatal Conab, que nesta quinta-feira atualizou sua projeção de safra, sinalizando também uma máxima para o total, embora abaixo dos consensos do mercado de mais de 70 milhões de sacas.
A Conab projeta um total de 66,7 milhões de sacas para 2026/27, sendo 45,8 milhões de sacas para o arábica. No recorde anterior para essa variedade, a Conab viu 48,7 milhões de sacas.
Apesar do recuo nos canéforas esperado para 2026/27, nos últimos anos essa variedade registrou incrementos de produtividade importantes, colaborando para o recorde total esperado agora para a nova safra, ainda que volume colhido deva cair ante o ciclo anterior.
Em 2020/21, a produção de canéforas era de somente 19 milhões de sacas, segundo o Rabobank.
Conforme o banco, o Brasil colheu seu recorde de arábica de 53 milhões de sacas em 2020/21.
(Por Roberto Samora; edição de Pedro Fonseca)



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