SÃO PAULO, 22 Jun (Reuters) - A safra de trigo do Rio Grande do Sul deverá registrar uma queda de 36,4% em 2026 na comparação com a temporada anterior, com produtores reduzindo a área plantada diante de preocupações climáticas com o El Niño e dificuldades financeiras em meio a preços baixos do cereal, afirmou nesta segunda-feira a Emater, em sua primeira estimativa para as culturas de inverno.
A produção do Rio Grande do Sul, o principal Estado produtor de trigo no Brasil nos últimos anos, foi estimada em 2,2 milhões de toneladas, versus 3,46 milhões de toneladas em 2025.
A queda da safra no Estado, que está em período de plantio de trigo, deverá ser menor principalmente pela expectativa de uma redução na área plantada de 30,2%, para 814,2 mil hectares, segundo o levantamento da Emater, órgão vinculado ao governo gaúcho.
O cenário para a cultura, com reflexos negativos também para o plantio de trigo no Paraná -- outro importante produtor, onde os trabalhos estão mais avançados --, já havia levado especialistas a projetarem um aumento na importação do cereal pelo Brasil neste ano. Normalmente, o país compra do exterior cerca de metade do seu consumo.
"Essa diminuição de área acaba também impactando a produção. Questão muito lógica, mas importante destacar: em um cenário de El Niño, o produtor fica na insegurança de fato com a cultura do trigo", afirmou o diretor técnico da Emater Mateus Rocha, ao anunciar os números em uma coletiva de imprensa.
Ele lembrou que o El Niño, que traz um inverno e uma primavera mais chuvosos no Sul do país, geralmente resulta em mais doenças nos campos, o que eleva custos e limita o potencial.
Além disso, em caso de chuva excessiva na colheita, a qualidade do trigo fica prejudicada.
O trigo "tem como característica ser uma cultura mais delicada em questões fitossanitárias", notou Rocha.
Ele também afirmou que a Emater considera uma queda na produtividade média, também por conta de menos investimentos em insumos.
"A terceira questão é o crédito. Estamos passando por uma insegurança muito grande quando falamos sobre crédito rural... e o produtor está sentindo, vemos o produtor mais descapitalizado", declarou.
Ele disse ainda que o trigo enfrenta um momento de preços baixos, com oferta abundante em outros países. "E o produtor vê isso e acaba se retraindo."
De outro lado, a produção da canola -- uma oleaginosa de inverno utilizada para a produção de biocombustíveis -- deverá dobrar em relação ao ano passado, para 572 mil toneladas, com um crescimento semelhante na área plantada, para 353 mil hectares.
Rocha ressaltou o cenário de preços mais favorável para a canola, além de contratos com indústrias que garantem o plantio.
(Por Roberto SamoraEdição de Pedro Fonseca)



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