SÃO PAULO, 9 Jun (Reuters) - O grupo Stellantis está estudando com a parceira chinesa Dongfeng como ampliar sua oferta de modelos no Brasil, enquanto foca a operação local em seus pontos fortes, disse nesta terça-feira o presidente para América do Sul da empresa automotiva, Herlander Zola.
Dona de marcas como Fiat e Jeep, a Stellantis anunciou no final de maio uma ampliação de sua parceria com o grupo automotivo chinês Dongfeng, depois de ter divulgado em novembro que a também chinesa Leapmotor vai começar a produzir a partir deste ano veículos elétricos em seu complexo industrial de Goiana (PE), que já monta modelos da Jeep.
"Com a parceria com a Dongfeng podemos aproveitar a possibilidade de estender nosso 'lineup' de modelos", disse Zola a jornalistas durante evento promovido pela associação de montadoras Anfavea.
"Podemos trazer produtos (da Dongfeng) para o Brasil... estamos em desenvolvimento conjunto", acrescentou o executivo, sem dar detalhes.
Questionado se a Stellantis pode replicar o modelo que usou para trazer a Leapmotor ao Brasil, Zola respondeu que "isso pode ser um caminho" entre outras alternativas sendo avaliadas pelo grupo.
Também no final de maio a Stellantis lançou um plano global para concentrar investimentos em suas quatro marcas principais -- Fiat, Jeep, Ram e Peugeot -- o que no Brasil fará a companhia se concentrar em veículos compactos de entrada da Fiat e picapes, disse Zola.
"Os chineses são menos relevantes (no Brasil) nessas áreas", disse o executivo.
Enquanto isso, no segmento de utilitários esportivos, a companhia prepara "uma renovação completa" dos modelos e aumento da oferta com a chegada do compacto Jeep Avenger neste ano.
"E vamos ter parcerias que vamos começar a explorar com a Leapmotor que vão ser muito relevantes com a chegada de novos produtos este ano (no Brasil)", disse o presidente da operação sul-americana da Stellantis.
Questionado sobre a eventual aprovação do fim da escala de trabalho 6x1, que está em discussão no Congresso, e seus impactos nos custos produtivos do setor automotivo nacional, Zola afirmou que a competitividade da indústria deve ser atingida.
"O custo produtivo (da escala 5x2), em comparação com a China, piora nossa competitividade. As horas trabalhadas na China durante uma semana são muito maiores", disse o executivo. "Vamos nos adaptar."
O Brasil atualmente é o sexto maior mercado de carros e comerciais leves do mundo, mas apenas o oitavo maior fabricante, segundo dados do setor. Só neste ano, 11 novas marcas passaram a vender veículos no Brasil, a maioria da China, de acordo com a Anfavea.
Zola afirmou que para a indústria automotiva brasileira se manter relevante frente a rivais chinesas, o processo de desenvolvimento de novos produtos precisa ser acelerado.
"Para sermos competitivos, o timing tem que ser diferente. É um timing que precisa ser muito mais rápido", disse.
Sem essa aceleração, o modelo de produção da indústria automotiva no Brasil, em que o setor procura realizar o maior número de etapas produtivas no país em vez de se concentrar apenas na montagem de kits de peças importadas, corre risco, afirmou o executivo.
"Muitas das montadoras nacionais têm parcerias fortes na China que podem ser utilizadas no Brasil", disse. "Esse modelo (de produção local) está em risco", acrescentou, citando os desafios macroeconômicos, como a diferença do custo de capital entre ambos os países.
(Por Alberto Alerigi Jr.Edição de Pedro Fonseca)



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