Por Andrew Hay
9 Jul (Reuters) - O ex-colega de quarto de Tyler Robinson, acusado de assassinar o ativista conservador Charlie Kirk, disse aos promotores que Robinson demonstrou arrependimento um dia após o crime e planejava se entregar à polícia, de acordo com uma entrevista em vídeo exibida no tribunal nesta quinta-feira.
A entrevista gravada com o ex-colega de quarto e parceiro romântico de Robinson, Lance Twiggs, foi apresentada enquanto os promotores tentavam convencer um juiz de Utah de que possuem provas suficientes contra Robinson para justificar um julgamento — parte de uma audiência de uma semana que tem sido marcada por longas discussões sobre quais provas devem ser admitidas.
Robinson, que estudava para se tornar eletricista na época do atentado, enfrenta sete acusações criminais, incluindo homicídio qualificado. Os promotores pedem a pena de morte. Ele ainda não apresentou sua defesa.
Kirk, de 31 anos, um importante aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, foi morto diante de milhares de pessoas enquanto debatia com estudantes na Utah Valley University. Trata-se de um dos incidentes de maior repercussão entre uma série de ataques a políticos e figuras proeminentes que intensificaram a preocupação com a violência política nos Estados Unidos.
Na entrevista de 20 de abril, que foi parcialmente censurada por ordem do juiz distrital Tony Graf, o promotor do condado de Utah, Ryan McBride, questionou Twiggs sobre as mensagens de texto que ele trocou com Robinson nas horas seguintes ao assassinato de Kirk, em 10 de setembro de 2025. Nas mensagens de texto, que já haviam sido divulgadas anteriormente, Robinson teria admitido a Twiggs que atirou em Kirk.
Twiggs disse que Robinson voltou para a casa geminada de três quartos em St. George, Utah — a cerca de três horas e meia de carro ao sul da Utah Valley University — na manhã de 11 de setembro.
“Eu apenas perguntei a ele pessoalmente se o que ele havia dito na noite anterior era verdade, e ele confirmou que sim. Ele começou a chorar um pouco e disse que gostaria de não ter feito isso”, contou Twiggs a McBride na entrevista.
Twiggs concordou em dar a entrevista aos promotores e à polícia em vez de testemunhar na audiência preliminar e recebeu imunidade por sua cooperação.
O juiz Graf proibiu que partes da entrevista fossem reproduzidas no tribunal depois que o advogado de Robinson afirmou que os promotores apresentariam os trechos como “confissões” e colocariam em risco o direito do réu a um julgamento justo.
Um advogado de Erika Kirk, viúva de Kirk, que esteve presente durante toda a audiência preliminar, solicitou que a entrevista fosse reproduzida na íntegra e que todas as outras provas apresentadas na audiência fossem exibidas no tribunal.
“A família Kirk esperou 10 meses por esta audiência... eles têm o direito de ouvir as provas”, disse o advogado Jeffrey Neiman ao tribunal.
"EU ESTAVA FARTO DO ÓDIO DELE"
No tribunal, nesta semana, os advogados de Robinson sugeriram que a polícia não investigou possíveis indícios de que outra pessoa pudesse ter cometido o assassinato.
Nesta quinta-feira, os promotores apresentaram provas editadas de mensagens de texto trocadas em 10 de setembro entre Robinson e Twiggs, um chat em grupo no Discord e uma fotografia de um bilhete escrito à mão.
O som da transmissão ao vivo do processo judicial foi desligado em alguns momentos, pois os promotores apresentaram provas que, segundo o juiz Graf, poderiam influenciar os jurados em potencial caso fossem ouvidas.
As mensagens de texto apresentadas pelos promotores mostram que Twiggs perguntou a Robinson por que ele atirou em Kirk, e ele respondeu: “Eu já estava farto do ódio dele. Algumas formas de ódio não podem ser resolvidas por meio de negociação.”
Na entrevista de 20 de abril, Twiggs disse que conheceu Robinson em 2023, quando se mudou para a casa compartilhada, e que começaram a namorar cerca de três meses depois.
Os promotores alegam que as mensagens de texto indicam que Robinson teve Kirk como alvo por causa de suas opiniões políticas conservadoras, incluindo comentários anti-LGBTQ. A defesa contesta a interpretação da promotoria e tem buscado limitar o uso de provas que apontem para um motivo político, o que poderia ser utilizado em argumentos a favor da pena de morte.
Twiggs disse que raramente discutia política com Robinson, e que a primeira vez que falaram sobre Kirk foi após o tiroteio.




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