Por Nicoco Chan e Ethan Wang e Xiuhao Chen
XANGAI/PEQUIM, 8 Jul (Reuters) - As enchentes que devastaram o sul da China nesta semana parecem prestes a se espalhar para outras províncias com a chegada iminente do supertufão Bavi, e os cientistas alertam que os fenômenos climáticos extremos só tenderão a se tornar mais frequentes este ano.
Os sistemas climáticos previstos certamente colocarão à prova a resiliência das cidades densamente povoadas e das comunidades rurais do país.
O Centro Nacional de Clima da China prevê que até seis tufões se formem no Noroeste do Pacífico e no Mar da China Meridional em julho, um número superior à média de 3,8. Dessas tempestades, até três poderiam atingir o continente, acima da média de 1,8. A intensidade dos ciclones também será maior, segundo o centro.
Cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão expondo cada vez mais a segunda maior economia do mundo a eventos climáticos destrutivos, sendo este ano motivo de especial preocupação devido ao surgimento previsto do fenômeno climático El Niño, que pode elevar as temperaturas e alimentar tufões mais intensos — como são conhecidos os furacões na região da Ásia-Pacífico.
A China se prepara para o supertufão Bavi neste sábado, o segundo ciclone tropical a chegar em uma semana. Com mais de 1.000 km de diâmetro, o Bavi atingiu brevemente a ilha norte-americana de Rota, no Pacífico Ocidental, na segunda-feira, com ventos superiores a 290 km/h.
Na semana passada, o tufão Maysak atingiu a província insular de Hainan, a mais ao sul da China, e rapidamente se espalhou pela região chinesa de Guangxi, onde a tempestade causou os maiores estragos. Os resquícios do Maysak também geraram pelo menos dois tornados no interior da China central.
“O problema com esses eventos é que eles só estão aumentando”, disse Benjamin Horton, reitor da Faculdade de Energia e Meio Ambiente da City University of Hong Kong.
A magnitude dos eventos está aumentando e não há tempo para se recuperar e se tornar resiliente, alertou Horton, prevendo que ciclones mais frequentes e intensos ainda este ano causem chuvas em quantidades sem precedentes, provocando inundações, deslizamentos de terra, danos às plantações e perda de vidas.
“Isso vai se repetir, se repetir e se repetir”, disse ele.
ÁGUA POR TODA PARTE
Cidades e vilarejos em Hengzhou, o epicentro das enchentes em Guangxi, foram atingidos por fortes enchentes na segunda-feira, após o rompimento de barragens em reservatórios locais. Pelo menos seis pessoas morreram em Guangxi, segundo autoridades, com outras 375 mil afetadas. O número de mortos deve aumentar.
“Pelo menos mil pessoas estão isoladas nas montanhas, está escuro por toda parte e (precisamos) de resgate urgente”, segundo um pedido de ajuda publicado nas redes sociais chinesas na terça-feira. A Reuters não verificou a postagem de forma independente.
Após a ruptura de um reservatório de médio porte na segunda-feira, as águas da enchente, carregando grandes quantidades de lama e sedimentos, inundaram terras agrícolas e vilarejos, informou a emissora nacional CCTV.
Em algumas casas, as águas da enchente chegaram ao segundo andar, deixando moradores presos nos telhados enquanto torrentes violentas corriam ao seu redor, segundo a CCTV.
A cidade de Hengzhou, predominantemente rural e com mais de 1 milhão de habitantes, possui seis reservatórios de médio porte e quase 200 menores. É também o ponto de partida de um projeto de canal de 70 bilhões de iuanes (US$10,3 bilhões), com inauguração prevista para setembro.
“Os graves impactos do Maysak e a ameaça iminente do supertufão Bavi indicam que a temporada de 2026 está sendo mais intensa e destrutiva do que em um ano típico”, disse Hui Su, professor titular do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong.
“O El Niño está deslocando as trajetórias dos tufões para oeste, em direção à costa da China, e aumentando os riscos, enquanto as mudanças climáticas tornam as tempestades mais chuvosas e mais destrutivas.”
(Reportagem de Nicoco Chan em Xangai, Ethan Wang, Xiuhao Chen e Ryan Woo em Pequim)



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