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Trump envia ao Congresso notificação formal de que conflito com Irã foi retomado

Reuters
Trump envia ao Congresso notificação formal de que conflito com Irã foi retomado
Trump envia ao Congresso notificação formal de que conflito com Irã foi retomado

Por Patricia Zengerle

WASHINGTON, 13 Jul (Reuters) - O presidente dos EUA, Donald Trump, enviou ao Congresso uma notificação formal informando que as hostilidades contra o Irã foram retomadas em 7 de julho — uma carta que seu governo considera como o início de um novo prazo de 60 dias para o uso de forças militares na região sem a aprovação do Congresso.

“Ordenei essa ação militar em consonância com minha responsabilidade de proteger os norte-americanos e a segurança nacional dos Estados Unidos, bem como os interesses de política externa do país”, afirmou Trump na carta, datada de 10 de julho e vista pela Reuters nesta segunda-feira.

A carta descreve as ações de Trump, incluindo a ordem de um cessar-fogo de duas semanas em 7 de abril — que foi prorrogado — e os esforços de seu governo para alcançar uma solução diplomática para o conflito.

Os Estados Unidos começaram a atacar o Irã em 28 de fevereiro, em conjunto com Israel.

Trump descreveu o memorando de entendimento que assinou com o Irã em 17 de junho e afirmou que o Irã o havia violado ao atacar navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, o que o levou a ordenar novos ataques contra a República Islâmica.

À medida que o conflito se intensificava, Trump afirmou nesta segunda-feira que os EUA estavam restabelecendo seu bloqueio à navegação iraniana no Golfo Pérsico e garantiriam que o Estreito de Ormuz permanecesse aberto.

A Constituição dos EUA estabelece que apenas o Congresso, e não o presidente, tem o poder de declarar guerra. No entanto, os presidentes dos EUA há muito reivindicam o direito de ordenar intervenções militares de curta duração sem a aprovação dos parlamentares, a fim de preservar a segurança dos EUA.

LEI DOS PODERES DE GUERRA

A Lei dos Poderes de Guerra exige que o presidente informe o Congresso dentro de 48 horas após o início das hostilidades e determina que ações militares iniciadas sem a aprovação do Congresso devem ser encerradas em até 60 dias.

No caso do Irã, o primeiro prazo de 60 dias terminou em 1º de maio, mas o presidente republicano afirmou que a lei não se aplicava, pois declarou que as hostilidades haviam sido encerradas pelo cessar-fogo, mesmo com a continuidade dos ataques e o bloqueio dos portos iranianos pelas forças norte-americanas.

Democratas e republicanos contrários à guerra em curso afirmaram que o governo estava interpretando erroneamente a lei.

“O presidente não pode simplesmente ignorar meses de guerra que ele mesmo disse que durariam apenas quatro a seis semanas”, afirmou um assessor sênior democrata da Câmara dos Deputados, comentando sob condição de anonimato.

Além disso, tanto o Senado quanto a Câmara aprovaram no mês passado uma resolução instruindo Trump a retirar as forças norte-americanas das hostilidades com o Irã, apesar da estreita maioria de seus pares republicanos em ambas as casas.

As votações refletiram a crescente preocupação com o conflito que já dura meses.

Trump reagiu com veemência após a votação, acusando aqueles que votaram a favor de dar “conforto” ao Irã e de tornar seu trabalho “mais difícil”.

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