O presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu sua decisão de trocar a cobrança de um pedágio de 20% pela navegação no Estreito de Ormuz por acordos comerciais e de investimentos com países do Golfo, em comentários a repórteres nesta tarde.
"Não gosto da ideia de cobrar uma taxa, não acho que qualquer um deveria cobrar a passagem por uma rota marítima internacional. Ninguém deveria receber nada por esse controle. Nós só receberíamos como reembolso", disse o republicano. "Nunca me pareceu justo defender o Estreito de Ormuz sem receber nada em troca, mas o novo acordo é muito melhor e teremos bilhões de dólares investidos na indústria dos EUA".
Segundo ele, autoridades americanas conversaram com o Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo, e todos teriam aceitado ampliar investimentos já existentes nos EUA. Trump, contudo, não deu detalhes sobre como funcionariam os novos acordos comerciais.
Questionado, o presidente enfatizou que "seria injusto" ter que defender todas as embarcações, incluindo de países como a China, e garantir a navegação segura da rota marítima sem receber por isso.
Trump negou ter qualquer arrependimento sobre o memorando de entendimento com o Irã para tentar encerrar a guerra e os compromissos assumidos pelos EUA, como a retirada temporária de sanções sobre o petróleo iraniano - que começou no fim de junho e terminou na semana passada. "Quis dar aos iranianos uma chance de fazer um acordo, mas eles atiraram primeiro", disse.
O republicano também descartou preocupações com ofensivas do Irã contra países vizinhos no Oriente Médio, afirmando que os americanos destruíram "quase toda a capacidade militar iraniana".
O presidente afirmou ainda que pode adicionar o Irã e o Hezbollah, grupo militante do Líbano, no pacote de sanções contra a Rússia que está sendo discutido no Congresso. Sobre a China, ele se limitou a dizer que o governo não prepara no momento sanções secundárias contra Pequim.
Os comentários aconteceram após reunião entre Trump e o primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, no Salão Oval da Casa Branca. Na ocasião, o americano classificou o Irã como um "oponente" em comum dos EUA, do Iraque e de países do Oriente Médio, afirmando que o país persa seria o "bully" - termo em inglês para "valentão" que intimida outros - da região. "Mas o Iraque não terá mais esse problema, porque o Irã foi desestabilizado", disse o republicano.



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