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Veja o que se sabe sobre ataque na Parada do Orgulho em Berlim que deixou 1 morto e 29 feridos

Estadão

No último sábado, 25, um ataque deixou uma pessoa morta e 29 feridas durante a Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Berlim, na Alemanha. O suspeito, Abdul Ballout, de 21 anos, foi morto a tiros pela polícia no domingo, 26, após quase 24 horas de buscas, informou a polícia de Berlim.

Em um comunicado no X, a polícia informou que os agentes localizaram o suspeito e que este "correu na direção deles com uma arma branca", o que levou os agentes a abrirem fogo. O homem morreu "no lugar dos fatos".

O caso reacendeu o debate sobre imigração e segurança na Alemanha, após vir à tona que Ballout havia sido condenado por planejar um ato de violência ligado ao Estado Islâmico (EI), mas respondia em liberdade. Integrantes da comunidade LGBTQIA+ classificaram o episódio como um crime de ódio e não uma questão migratória. Veja o que se sabe até o momento.

O que aconteceu?

O incidente ocorreu na noite de sábado, 25, e interrompeu o que seria um dia de celebração para as centenas de milhares de pessoas que participavam de um dos maiores eventos do Orgulho LGBTQIA+ da Europa.

Pouco antes das 22h (17h em Brasília), uma minivan Citroën Spacetourer branca com placa de Berlim atropelou várias pessoas na extremidade sul do Parque Tiergarten, no centro de Berlim, antes de colidir contra uma árvore. O veículo permanecia no local na manhã do domingo, visivelmente danificado.

O ataque aconteceu a algumas centenas de metros do fim do percurso da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ e do palco principal do evento, instalado no emblemático Portão de Brandemburgo.

Armin Duenhoelter, um artista drag de 49 anos, estava atrás do palco principal quando as celebrações foram interrompidas. Na manhã de domingo, ele ainda estava "em choque", segundo disse à AFP , embora, dados os atos violentos dos últimos anos, soubesse que a Marcha do Orgulho "poderia eventualmente se tornar um alvo".

A polícia informou que uma ou mais pessoas abandonaram o veículo e fugiram do local. As autoridades também relataram que várias vítimas sofreram ferimentos por arma branca. Segundo um porta-voz do corpo de bombeiros, uma pessoa morreu e outras 29 ficaram feridas.

O prefeito de Berlim, Kai Wegner, afirmou que a vítima fatal era uma cidadã polonesa que estava na cidade com a filha. Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, informou neste domingo que nenhum dos feridos está em estado crítico.

Quem é o suspeito?

Abdul Ballout, de 21 anos, foi morto a tiros após uma busca que durou quase 24 horas, depois do ataque da noite de sábado. Ele era suspeito de ter atropelado a multidão e ter ferido outras pessoas com um facão, no que as autoridades acreditam ter sido um ataque terrorista extremista.

Promotores indicaram que Abdul era cidadão alemão de origem libanesa e conhecido há muito tempo pela Justiça. O acusado tinha antecedentes por lesões corporais, extorsão e roubo.

Além disso, Abdul havia viajado ao Líbano em uma tentativa fracassada de se juntar ao grupo Estado Islâmico na Síria, foi detido e passou três meses na prisão antes de ser repatriado.

Foi condenado em maio por "planejar um grave ato de violência subversiva" e sentenciado a um ano e dez meses de prisão. No entanto, a pena foi suspensa, em parte porque foi considerado o tempo que passou detido no Líbano e em prisão preventiva, além de ter admitido os fatos e assegurado que havia se afastado do EI.

O tribunal ordenou que Ballout participasse de um programa de desradicalização para infratores de alto risco. Ele foi avaliado duas vezes pela Rede de Prevenção da Violência, com sede em Berlim, que trabalha com pessoas em risco devido ao extremismo de direita e ao islamismo.

A organização define desradicalização como o processo pelo qual uma pessoa se desvincula com sucesso da ideologia extremista e se distancia da violência.

Segundo Cornelia Lotthammer, diretora de relações públicas da organização não governamental, Ballout tinha uma reunião agendada com a equipe na segunda-feira para sua terceira e última avaliação.

O que dizem as autoridades?

O prefeito de Berlim, Kai Wegner, classificou o episódio como um ataque "da maneira mais brutal" contra "uma manifestação por uma Berlim tolerante e pacífica". Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, prometeu levar à Justiça os responsáveis pelo que chamou de "ato abominável".

O ataque de sábado remete a uma série de episódios semelhantes registrados nos últimos anos na Alemanha, que reacenderam o debate sobre imigração, já que vários dos autores tinham origem estrangeira.

O deputado Martin Hess, do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), afirmou que o ataque é resultado de "um completo fracasso das políticas de segurança do governo". Segundo ele, "o islamismo é a maior ameaça à segurança do nosso país".

A memória de atentados é recente para os alemães. Em dezembro de 2016, um tunisiano lançou um caminhão contra um mercado de Natal em Berlim, matando 13 pessoas.

A expectativa é de que o ataque influencie a campanha eleitoral, enquanto cresce a preocupação de que o discurso anti-imigração fortaleça a extrema direita. Três estados alemães terão eleições em setembro.

Em 2025, uma série de ataques fatais cometidos por imigrantes foi um dos fatores que contribuíram para que a AfD terminasse em segundo lugar nas eleições nacionais daquele ano. O partido tem feito duras críticas ao governo na área de imigração e ampliado seu apoio ao explorar o descontentamento com outras questões.

Kristin Brinker, líder da AfD em Berlim, questionou na rede social X como um apoiador do Estado Islâmico conseguiu circular livremente pela Alemanha após ter sido detido. 'Quem é o responsável por isso no governo municipal?", escreveu.

Reação da comunidade LGBTQIA+

Enquanto alguns enxergam o episódio como um problema exclusivamente de imigração, integrantes da comunidade LGBTQIA+ afirmam que o ataque representa um crime de ódio e não uma questão migratória.

Haidar Darwish, dançarino do ventre e artista sírio, subiu ao palco da Ilha dos Museus no domingo, em Berlim, vestindo uma saia de aros e um fez vermelho.

Antes da apresentação, pediu um minuto de silêncio ao público e afirmou que o espetáculo precisava continuar, apesar do ataque fatal às celebrações do Orgulho LGBTQIA+ na cidade, que deixou a comunidade de luto.

"Ontem houve um ataque e um crime de ódio contra a nossa comunidade em Berlim durante a Parada do Orgulho LGBTQIA+", disse ele à plateia na noite de domingo, lutando para controlar as emoções.

"É uma situação difícil para a nossa comunidade, mas estamos perseverando, e estamos aqui hoje especificamente, eu e meus artistas, para nos fazermos presentes e sermos visíveis', afirmou Haidar.

O artista destacou que era especialmente importante se apresentar na noite seguinte ao ataque para um público mais amplo, além da comunidade LGBTQIA+, formado por berlinenses de diferentes origens e turistas estrangeiros. Na ocasião, afirmou "estamos cansados de sermos constantemente colocados em uma posição em que temos que lutar sem parar".

Segundo Haidar, os dançarinos poderiam simplesmente permanecer em casa, mas "também podemos transformar a tristeza em alegria".

Ao fim da apresentação, Haidar e os demais artistas dançaram até que o público se levantou das cadeiras e se juntou a eles, transformando uma noite que poderia ter sido marcada apenas pela tristeza em uma manifestação coletiva de resistência.

*Com informações de agências internacionais.

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