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O abandono do Centro de Manaus não está nas páginas do Portal do Holanda

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Por Ana Celia Ossame
03/07/2026 21h03 — em Ombudsman

Enquanto ruas como a Ferreira Pena, Costa Azevedo e Barroso, num movimento bonito de retomada do espaço, são ocupadas pelos jovens que frequentam com assiduidade semanal os bares e pequenos restaurantes instalados nelas, grande parte dessa área da cidade, Centro de Manaus, vem sendo abandonado por sucessivas administrações municipais.

O abandono é tanto dos proprietários dos imóveis históricos quanto do poder público. E essa situação passa em branco pelo Portal do Holanda, que registra uma ou outra ação pontual realizada pelo poder público municipal ou por particulares, mas que em nada altera a situação daquela área, tão cobiçada no século passado.

Caso das ruas como Joaquim Sarmento, Lobo D’ Almada, Frei José dos Inocentes, Itamaracá e outras nos arredores, que permanecem ocupadas por atividades nada convencionais. Endereços ganham placas de hotéis e pousadas usadas para a prostituição, consumo de drogas, sinalizando uma frequência que amedronta e afasta a população.

Ruas que, na década de 1970 e 80 do século passado, eram os endereços das lojas das grandes indústrias do Distrito Industrial como a Dr. Moreira, Marcilio Dias e outras estão, em sua maioria, com os imóveis fechados, severamente deteriorados, abandonados ou usados parcialmente.

Se formos pesquisar as ações do poder público no Centro de Manaus, não será surpresa constatar que a criação do Largo de São Sebastião, com fechamento de ruas e criação de espaços para cultura e lazer, no ano de 2004, foi uma das mais importantes tomadas ali, na época pelo então secretário de Cultura do Estado, Robério Braga, que comandou a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) no período de 1997 a 2017.

A partir daí, manteve-se a área do Largo protegida porque, como disse o próprio Robério, a atividade econômica tem protegido essa área até o momento, da decadência mais grave. Tese confirmada pela Avenida Eduardo Ribeiro, que já foi uma das principais da cidade e há décadas é palco da tradicional Feira de Artesanato aos domingos, reunindo comerciantes de cafés regionais e produtos desse segmento no local.

A Prefeitura criou o projeto Passo a Paço, com o objetivo de transformar o Centro Histórico e as margens do Porto em uma enorme galeria a céu aberto, mas as atividades ali poderiam ser ampliadas e mantidas por mais períodos.

Não é exagero dizer, o Centro é a referência do povo amazonense, que chega de barco de municípios do interior e de estados próximos. Também é referência dos turistas, que vêm ver os majestosos exemplares da arquitetura, como o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, Academia Amazonense de Letras, Agência Central dos Correios e Telégrafos, Biblioteca Pública, Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, entre outros. Mas acabam registrando a grande quantidade de imóveis abandonados e alguns com placas de vendas.

De acordo com dados da SEC, em seu portal, o Amazonas tem 36 bens imóveis tombados pelo Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Amazonas-COPHAM, órgão responsável pela proposição do tombamento e registro de bens materiais e imateriais às autoridades competentes.

A maioria desses imóveis está no Centro e esse número poderia ser maior se os meios de comunicação fossem mais efetivos no papel de cobrar o respeito às leis de proteção ao patrimônio imaterial local.

A Prefeitura registra mais de 116 imóveis abandonados em Manaus, dos quais cerca de 103 são do Centro, situação que é resultado da evasão de moradores, esvaziamento comercial e deterioração de casarões históricos.

No último dia 2, o Portal do Holanda publicou matéria sobre mais uma etapa da operação Centro Mais Seguro, com ações concentradas na praça da Matriz, avenidas Eduardo Ribeiro e Epaminondas, reunindo várias secretarias municipais.https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/centro-de-manaus-passa-por-nova-etapa-de-reordenamento-urbano.

A Prefeitura, que já inaugurou o Mirante Lúcia Almeida e o Casarão Cassina, naquela área, promete que a operação seguirá por tempo indeterminado e a reportagem será um caminho para acompanhar essas ações ou cobrar se paralisarem.

Houve a restauração da antiga Escola Estadual Saldanha Marinho, na rua de mesmo nome, inaugurada recentemente como sede do Casarão de Ideias.

Há centenas de cidades no Brasil e no mundo que passaram por este cenário atual do Centro de Manaus. Só após múltiplas ações que envolveram decisões como incentivos aos proprietários para cuidar dos imóveis e dar segurança suficiente para assegurar seus direitos de ir vir, assim como a revitalização dos espaços públicos, mudou a realidade.

É importante o Portal do Holanda aprofundar esse debate e acompanhar essas atividades para saber se terão continuidade ou será apenas mais um movimento sem grandes repercussões na solução dos problemas identificados.

O Centro de Manaus é o berço da cidade como a conhecemos, após a chegada dos colonizadores. Na Praça Dom Pedro II, em frente à sede onde funcionava a Prefeitura de Manaus, foi encontrado um cemitério indígena anterior ao período colonial, com mais de 1.500 anos. Cuidar desse espaço é mais que uma obrigação institucional, é uma declaração de amor a Manaus. E o jornalismo do Portal do Holanda pode e deve contribuir com isso.

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Ana Celia Ossame é amazonense de Manaus, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) (2015) e graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Ufam (1985). Tem Especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997 e experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração e Assessoria de Imprensa. Trabalhou nos jornais amazonenses A Notícia, Jornal do Comércio e A Crítica, onde elaborou matérias sobre Educação, Saúde, Meio Ambiente e do Cotidiano. Durante mais de uma década, foi responsável pela edição e produção de uma página dedicada à Educação no Jornal A Crítica. Foi Assessora de Imprensa do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Câmara Municipal de Manaus, Agência de Comunicação do Governo do Estado, Secretaria Estadual de Assistência Social (SEAS), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SEMASDH), Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). É detentora de prêmios jornalísticos como 6º. Prêmio Embratel de Jornalismo (2004), Grande Prêmio Ayrton Senna (2000), Governo do Estado do Amazonas (1997) e Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em 1997, foi premiada como Jornalista Amiga da Criança (JAC) pela Agência de Notícias pelos Direitos da Infância (ANDI), vinculada à Unesco. É autora do Livro de Poesia “Imaginei Assim”, publicado em 1986, dos livros Infantis “O Planeta Azul” (2014) e Os Sapatos da Formiga (2024), publicados pela Editora Valer, este último contemplado pelo Prêmio Frauta de Barro. E-mail: [email protected].

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

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