Manaus/AM - Uma rede de corrupção instalada no Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (DETRAN-AM), é o foco de uma série de audiências de instrução e julgamento que ocorrem nestes dias 11, 12 e 13 de março. O esquema, desarticulado pela "Operação Sanguessuga", causou um prejuízo estimado em R$ 30 milhões aos cofres públicos através de fraudes no licenciamento e circulação de veículos de luxo.
As investigações, conduzidas originalmente pela Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos sob o comando do delegado Cícero Túlio, revelaram que funcionários do órgão e uma rede de despachantes operavam a emissão fraudulenta de documentos. O golpe consistia em retirar as restrições tributárias e de circulação de veículos que gozavam de isenções de ICMS e IPI, incentivos concedidos exclusivamente para o fomento da Zona Franca de Manaus. Pick-ups de alto luxo, que deveriam circular apenas na região delimitada, eram enviadas ilegalmente para outros estados.
Além da fraude fiscal, o grupo facilitava a "legalização" de milhares de veículos sem condições de circulação por meio de vistorias burladas e comercializava lacres de placas para quadrilhas de clonagem. Durante a deflagração da operação, a Polícia Civil cumpriu prisões contra 28 alvos e apreendeu mais de 30 veículos, além de milhares de documentos e equipamentos eletrônicos. O caso ganhou tamanha proporção que houve compartilhamento de provas com a Polícia Federal, resultando na deflagração da "Operação Francamente", em 2021.
Os envolvidos respondem por uma extensa lista de crimes, incluindo associação criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema, falsidade ideológica, lavagem de capitais e crimes contra a ordem tributária. Caso a tese do Ministério Público seja aceita pela Justiça, os réus podem ser condenados a penas que ultrapassam 20 anos de reclusão.

