O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), comunicou o cancelamento da sessão conjunta entre deputados e senadores que seria realizada nesta quinta-feira, 18, para analisar 65 vetos presidenciais e cinco projetos de lei. As declarações ocorreram nesta manhã, ao lado do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), em entrevista a jornalistas.
De acordo com Alcolumbre, não houve reuniões suficientes para se chegar a um acordo sobre a derrubada ou a manutenção dos vetos. Além disso, o presidente do Congresso afirmou que o quórum está baixo para a realização da sessão. "Há uma grande dificuldade para a gente realizar a sessão do Congresso Nacional quando a gente não tem efetivamente uma participação de todas as lideranças partidárias da Câmara e do Senado envolvidas no tema", declarou.
O presidente do Senado disse que havia decidido pela manutenção da sessão nesta quinta, anunciada há 30 dias, porque os parlamentares analisariam vetos e projetos importantes. Entre os temas, estão dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 e da reforma tributária. Há vetos também que dizem respeito a emendas parlamentares, incentivos fiscais, infraestrutura, energia e segurança pública. Nesse período, o senador afirmou ter percebido que os líderes não se reuniram para tratar de um acordo.
Nesse tempo, segundo Alcolumbre, de um painel de 90 vetos pendentes com 924 dispositivos, foram retirados 20 vetos e 350 dispositivos, e ainda assim não se chegou a um entendimento. O senador afirmou que a pauta deixou 100% do Congresso e do governo insatisfeitos, apesar dos esforços por negociações. Além disso, o parlamentar disse que, com o quórum baixo, seria acusado de favorecer o governo ou a oposição caso mantivesse a realização da sessão nesta quinta.
No entanto, Alcolumbre declarou que, daqui a 10 a 15 dias, antes do recesso legislativo, convocará a apreciação dos vetos, com ou sem acordo. "Como não conseguimos um acordo, vou fazer um esforço pessoalmente e vou pedir a todos os líderes partidários, na próxima semana, da Câmara e do Senado, fazerem reuniões periódicas pelos próximos 10 ou 15 dias e, daqui a 10 ou 15 dias, antes do recesso parlamentar, eu vou ter uma sessão do Congresso Nacional, com acordo de cédula, ou sem acordo de cédula", disse.
O presidente do Congresso continuou: "Vamos tentar construir não duas sessões, mas três, dividindo ainda mais esses dispositivos da próxima sessão do Congresso. Vamos tentar escolher 20 ou 30 vetos, não 50 como ficou. E aí vai ser meio combinado com todo mundo e com o governo. Numa próxima, (vamos tentar) fazer 20 ou 30, e numa próxima, 20 ou 30, para, em três sessões do Congresso, nós nos desobrigarmos do que é relevante".
O cancelamento da sessão do Congresso também ocorre na data em que a Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero, que atua no caso Banco Master, tendo como alvo principal o líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA). A investigação apura fraudes que envolvem, supostamente, o PT na Bahia e o banqueiro Daniel Vorcaro. O Estadão pediu manifestação de Jaques Wagner e não recebeu resposta.



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