O pré-candidato do PL à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (RJ) enviou nesta quinta-feira, 2, manifestação ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) em que omite vínculos dele e de aliados com Daniel Vorcaro e atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliados e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), as práticas questionadas pelos EUA.
No documento, Flávio pede a suspensão imediata da tarifa de 25% sobre exportações brasileiras. "As tarifas propostas recompensariam exatamente os infratores que pretendem punir", afirma.
Autoridades americanas justificaram o novo tarifaço sobre produtos brasileiros sob o argumento de que o País não adotaria medidas suficientes contra suborno e corrupção. Ao tratar do tema, Flávio resgatou o histórico de escândalos no Brasil e associou Lula, o PT e Moraes às práticas questionadas.
Na manifestação, o senador associou os escândalos do Mensalão e da Lava Jato - adjetivados como "os maiores da história" - aos governos petistas e afirmou que casos recentes, como as fraudes envolvendo descontos indevidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), voltaram a atingir o entorno do presidente Lula, incluindo familiares citados em investigações.
Sobre o Banco Master, Flávio classificou o caso como a maior fraude bancária da história do País e afirmou que a investigação revelou vínculos entre o controlador da instituição e a estrutura governamental do País. No documento, porém, não mencionou sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, no financiamento do filme Dark Horse , sobre Jair Bolsonaro, nem as investigações envolvendo o líder do PP, Ciro Nogueira, e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
O filho de Jair Bolsonaro cita a atuação de ex-ministros e aliados do governo Lula ligados ao banco, entre eles o ex-ministro Guido Mantega, que teria sido contratado como consultor; o ex-ministro Ricardo Lewandowski, cujo escritório teria sido contratado após sua saída do governo; e o ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA), mencionado em apurações sobre supostos benefícios indevidos. Ele afirmou ainda que Lula teria recebido o financista fora da agenda oficial e o aconselhado a não vender a instituição.
Flávio afirmou que o caso também alcançou o Supremo Tribunal Federal, ao citar a contratação, pelo controlador do banco, do escritório fundado por Alexandre de Moraes - hoje administrado pela mulher e pelos filhos do ministro - por cerca de R$ 129 milhões. Segundo ele, familiares de outro integrante da Corte também teriam sido associados ao esquema.
"O escândalo alcança o sistema financeiro americano, prejudicou pessoas dos Estados Unidos e pode até ter conexões com o crime organizado, incluindo ao menos uma das organizações recentemente designadas como FTO (Freedom to Operate ou Liberdade de Operação)", afirma o documento.
Flávio argumentou que a proposta do novo tarifaço é incoerente porque os EUA já haviam adotado uma sanção individual contra Moraes, sua mulher e a holding da família com base na Lei Global Magnitsky. Segundo ele, a retirada dessa medida e sua substituição por uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros puniriam a economia do País - incluindo exportadores, consumidores americanos e a própria oposição - sem atingir diretamente o ministro.
"A medida direcionada à pessoa responsável é retirada; em seu lugar, avança uma medida incapaz de alcançá-la - recaindo, em vez disso, sobre exportadores, importadores americanos, consumidores dos Estados Unidos e a oposição, sua principal vítima", afirma.
Críticas ao 'timing' de tarifas e pedido de adiamento
Por Geovani Bucci
Na manifestação enviada por Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o senador e pré-candidato defendeu o adiamento da tarifa de 25% contra o Brasil até depois das eleições de outubro. Segundo ele, uma medida irreversível neste momento teria elevado impacto político e reduziria o espaço para negociação.
No documento, Flávio argumentou que o resultado da disputa eleitoral redefinirá, em cerca de 90 dias, o ambiente político necessário para uma solução negociada. Para o senador, preservar alternativas seria mais estratégico do que aplicar imediatamente instrumentos de pressão, independentemente de qual grupo político fosse beneficiado.
"Adotar agora uma medida irreversível - justamente no momento de maior impacto mobilizador - representa uma sequência inadequada para qualquer instrumento de pressão, independentemente do partido que ela possa favorecer", afirmou.
O senador também defendeu a retomada do diálogo e a preservação da relação comercial entre os dois países. "A possibilidade de dialogar com negociadores de boa-fé e restaurar a relação comercial historicamente mutuamente benéfica entre duas grandes nações é uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada", escreveu.




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