24 Jun (Reuters) - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tido reuniões semanais com autoridades do governo dos Estados Unidos para tratar da proposta feita pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) de impor tarifas comerciais adicionais aos produtos brasileiros e da investigação feita por Washington sobre supostas práticas desleais no comércio pelo Brasil, disse nesta quarta-feira o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa.
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, Rosa disse que uma audiência do USTR marcada para o dia 6 de julho para tratar da investigação comercial sobre o Brasil -- da qual o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro já anunciou que participará -- é destinada ao setor privado e à sociedade civil, enquanto a atuação das autoridades governamentais se dá no âmbito bilateral.
"No âmbito da investigação que os Estados Unidos conduzem, e eu participo da negociação, a gente tem feito reuniões semanais, técnicas, mostrando por que não pode ter a tarifa, por que não é justa a tarifa, por que está equivocada a conclusão", disse o ministro, que ainda lamentou o que classificou de brasileiros que vão aos EUA pedir que os norte-americanos prejudiquem o Brasil.
"Óbvio que o governo dos Estados Unidos pensa nos Estados Unidos. Eles pensam, infelizmente, nos americanos, não pensam nos brasileiros", afirmou.
Um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar que se inscreveu para participar da audiência do USTR em 6 de julho para falar contra as tarifas, Rosa foi questionado se o governo brasileiro terá representante no evento e afirmou que esse não é um canal para a interlocução entre as autoridades dos dois países.
"Nessa fase participam a sociedade civil, o setor privado. O governo brasileiro participa de reuniões semanais, como eu mencionei, e também tem consulta, que é reunião fechada, feita pelo governo. Autoridade do governo participa de reuniões bilaterais, das audiências participa a sociedade civil", disse.
Após Flávio Bolsonaro visitar o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em Washington, no mês passado, o governo dos Estados Unidos anunciou a designação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras -- o que abre caminho para a imposição de sanções pelos EUA -- e o USTR anunciou a proposta de tarifas comerciais adicionais aos produtos brasileiros.
Flávio disse que pediu a classificação de terrorista ao CV e ao PCC a Trump, mas que solicitou ao presidente dos EUA que não impusesse tarifas comerciais ao Brasil. Lula, que disputará a reeleição em outubro, e seus aliados, por sua vez, têm buscado colar em Flávio a responsabilidade pela imposição de tarifas pelos EUA.
(Por Eduardo Simões, em São Paulo; edição de Camila Moreira e Isabel Versiani)




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