O Partido Liberal (PL), partido do senador Flávio Bolsonaro, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que considere irregular a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 1º de julho, sob alegações de "inconsistências" e ausência de documentação. A representação foi distribuída para a relatoria do ministro André Mendonça nesta quarta-feira, 15.
O partido aponta "vícios de auditabilidade e confiabilidade" no registro do levantamento junto ao TSE, de número BR-04582/2026. A peça protocolada pela sigla cita ausência de arquivos técnicos obrigatórios sobre a abrangência territorial e demográfica e supostos vícios metodológicos em questões sobre renda e escolaridade.
A AtlasIntel afirmou em nota que todos os arquivos exigidos pela legislação eleitoral foram devidamente submetidos ao sistema dentro do prazo previsto para o registro da pesquisa, incluindo os arquivos referentes aos bairros e municípios contemplados na amostra. "As evidências disponíveis indicam que se trata de um problema de natureza técnica relacionado ao próprio sistema do TSE", afirma o comunicado.
Segundo o instituto, embora o arquivo tenha sido corretamente enviado e permaneça disponível na área restrita do sistema, ele deixou de aparecer na visualização pública do registro, um "comportamento incompatível com o funcionamento esperado da plataforma".
A empresa afirmou ainda que está "plenamente à disposição da Justiça Eleitoral" para demonstrar que cumpriu as exigências legais e prestar esclarecimentos, e que coloca sua equipe técnica à disposição do TSE para colaborar com iniciativas voltadas ao aprimoramento do sistema.
"A AtlasIntel acredita que o fortalecimento dos mecanismos de registro e fiscalização das pesquisas eleitorais beneficia toda a sociedade, aumenta a segurança jurídica para os institutos e amplia a confiança dos cidadãos na integridade do processo eleitoral", diz a nota.
O CEO da empresa, Andrei Roman, também se manifestou sobre o episódio no X. Ele afirmou que "a impugnação de uma segunda pesquisa Atlas apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro está fundamentada em um erro do sistema do TSE" e que o instituto "não mudará sua técnica nem alterará seus estudos por conta de qualquer tipo de pressão política, econômica ou judicial".
No fim de maio, o PL acionou o TSE para suspender a divulgação de pesquisa presidencial Atlas/Bloomberg que mostrou queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e alta de sua rejeição após a revelação de que ele cobrou dinheiro do dono do Master, Daniel Vorcaro.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou contrário à decisão liminar do ministro Nunes Marques que suspendeu a divulgação do levantamento e um pedido de vista da ministra Estela Aranha adiou o julgamento para que o colegiado analise a decisão do ministro.
Segundo o PL, a ausência de arquivos de complementação territorial e demográfica impede a auditoria sobre onde e com quem os dados foram coletados. A representação eleitoral também aponta supostos vícios metodológicos no questionário, como a sobreposição ambígua de faixas de renda e categorias de escolaridade, e alega que há indícios de coleta de dados fora do período legal.
A legenda pede na ação que a AtlasIntel apresente todos os documentos de controle e o arquivo territorial-demográfico; que um ofício seja expedido ao setor técnico do TSE para certificar a omissão de dados no sistema PesqEle; a garantia de acesso ao sistema interno de fiscalização e conferência da coleta de dados; a realização de auditoria técnica ou perícia sobre o algoritmo e o sistema de coleta e o reconhecimento de procedência total do pedido de impugnação, com equiparação a levantamento não registrado e aplicação de multa.
Segundo nota divulgada pela pré-campanha de Flávio sobre o segundo questionamento no TSE, o PL "defende que pesquisas eleitorais somente sejam divulgadas após a disponibilização integral da documentação exigida pela legislação, permitindo que partidos, candidatos, Ministério Público e a própria Justiça Eleitoral tenham condições de verificar se a metodologia registrada foi efetivamente cumprida."
O levantamento contestado mostra, em um cenário de primeiro turno para a eleição presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 36,6%. No segundo turno, Lula tem 48,8% e Flávio 42,3%.



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