Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 31 Jul (Reuters) - O PP anunciou nesta sexta-feira que decidiu se manter neutro na eleição presidencial deste ano, em uma decisão que inviabilizará a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se mantida ao final do prazo legal para registro das candidaturas.
"O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral", disse a direção nacional do partido em nota. "Diante disso, reiteramos a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina".
Para que a senadora seja vice de Flávio, seu partido precisa estar formalmente coligado com a legenda dele, e o prazo para mudança de partido com vistas à eleição de outubro já expirou.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda está em busca de alianças para sua candidatura, e especificamente de uma mulher para compor a chapa.
Apesar do anúncio do PP, o candidato do PL disse que não vai desistir e destacou que tem até o dia 5 de agosto para escolher o nome.
"Vamos continuar nas conversas com os demais partidos que nós já viemos conversando também, mas podem ter certeza que a gente vai ter a melhor chapa para poder oferecer à população brasileira para tirar o país dessa desesperança", disse Flávio.
Mais cedo, pouco antes do anúncio do PP, Flávio havia dito que Tereza Cristina tinha aceitado seu convite para ser vice, mas que dependia da aprovação do partido.
"A Tereza Cristina é um quadro excepcional, foi ministra do presidente Bolsonaro, é uma referência em várias áreas, em especial no agro. Respeitadíssima dentro da política, dentro do país e fora do país. Então o convite foi feito, ela aceitou. Agora estamos nas conversas para saber se o partido vai avançar ou não", afirmou ele, em entrevista durante agenda em São Paulo.
Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, deve concorrer a um novo mandato ao Senado, e aspira, segundo uma pessoa próxima a ela, concorrer à Presidência da Casa em fevereiro de 2027.
Uma parlamentar influente do PP disse à Reuters que a decisão de não se coligar com o partido de Flávio já estava tomada e que é a melhor para os interesses do partido, que tem como prioridade eleger uma bancada maior de deputados federais.
"A neutralidade para eleição dos deputados federais é o melhor caminho do ponto de vista estratégico", disse essa fonte do PP, destacando ainda que haveria um impedimento do estatuto do partido que prevê que, para se firmar uma coligação, tem a necessidade de lançar um edital com oito dias de antecedência, o que seria impossível uma vez que o prazo final para se fechar as alianças é 5 de agosto.
Outro nome cogitado para a vice era da economista Daniella Marques, que durante o governo Bolsonaro presidiu a Caixa Econômica e é muito próxima de Paulo Guedes, então ministro da Economia. Daniella, no entanto, é filiada ao Republicanos, e a legenda também resiste a se coligar formalmente com o PL.
Tanto PP quanto Republicanos são duas legendas que tiveram ministros no atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que trabalhou nos bastidores para evitar que eles se coligassem com o PL, segundo fontes.
Dessa forma, a perspectiva mais provável é que Flávio lance uma chapa puro-sangue, escolhendo um nome do próprio PL para ser candidato a vice. Entre os nomes cotados estão as deputadas Julia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF), a vereadora de Fortaleza Priscilla Costa e o senador Rogério Marinho (RN), atual coordenador-geral da campanha de Flávio.
(Por Ricardo Brito, Eduardo Simões e Gabriel Araujo, em São PauloEdição de Pedro Fonseca)



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