A ansiedade não afeta apenas o bem-estar emocional: ela também pode influenciar diretamente os hábitos alimentares e o controle do peso. Embora muitas vezes se associe o estresse ao aumento na balança, especialistas destacam que essa relação é mais ampla e envolve fatores hormonais, qualidade do sono e comportamento alimentar.
Segundo a endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora nacional e professora da pós-graduação em endocrinologia , o estresse prolongado favorece o ganho de peso por diferentes mecanismos. Um dos principais é o aumento do cortisol, hormônio liberado em situações de estresse. Quando mantido em níveis elevados por muito tempo, ele estimula a busca por alimentos calóricos e contribui para o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal.
Além disso, tanto o estresse quanto a privação de sono alteram hormônios ligados ao apetite, como a leptina, que promove saciedade, e a grelina, que estimula a fome. O desequilíbrio entre essas substâncias aumenta a ingestão de alimentos e dificulta a sensação de satisfação após as refeições. Dormir mal também favorece o hábito de “beliscar” ao longo do dia e reduz a disposição para atividades físicas, dificultando o emagrecimento.
Apesar disso, Bussuan ressalta que a ansiedade, isoladamente, não causa ganho de peso. O risco cresce quando há uma combinação de fatores como sono ruim, alimentação desorganizada e rotina desregulada. Ela lembra ainda que alterações hormonais, como o hipotireoidismo, podem provocar sintomas semelhantes e também contribuir para o aumento de peso.
Reconhecer os sinais e buscar acompanhamento profissional é essencial para preservar tanto a saúde física quanto a emocional. “Saber identificar o momento de procurar ajuda é fundamental para manter o equilíbrio necessário às atividades do dia a dia”, afirma a especialista.

