Manaus/AM - O aumento do uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 originalmente indicados para diabetes tipo 2 e obesidade, tem gerado preocupação entre profissionais de saúde e autoridades sanitárias. Impulsionadas por resultados rápidos na perda de peso e pela divulgação em redes sociais, essas substâncias, como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida, exigem acompanhamento médico rigoroso para evitar riscos à saúde.
O farmacêutico e nutricionista Ellery Barreto, fiscal da Vigilância Sanitária de Manaus, explica que, apesar da eficácia comprovada em estudos clínicos como STEP e SURMOUNT, o uso indiscriminado dessas medicações pode gerar sérios problemas sanitários. Entre os riscos estão compras em mercados irregulares, armazenamento inadequado, aplicação por pessoas não habilitadas e uso off-label sem fundamentação científica. Barreto ressalta que a prescrição deve ocorrer somente após avaliação individualizada e acompanhamento profissional.
Além disso, o especialista detalha que a dispensação correta deve ser realizada em farmácias autorizadas, com farmacêutico conferindo dados da receita, orientando sobre armazenamento e efeitos adversos. Entre os efeitos esperados estão aumento da saciedade e melhora da resistência insulínica, mas o uso inadequado pode provocar náuseas, vômitos e perda de massa magra. Fiscalizações recentes identificaram venda irregular em redes sociais, clínicas estéticas e plataformas online, gerando preocupação das autoridades sanitárias.
Para orientar profissionais da área, Barreto vai conduzir, no dia 21 de março, uma imersão presencial em Manaus sobre segurança clínica e risco sanitário no mercado de canetas emagrecedoras. O evento ocorrerá no Executive Coworking, bairro Vieiralves, das 8h30 às 12h30, e abordará critérios regulatórios, evidências científicas, impacto metabólico, farmacovigilância e análise de irregularidades.
A iniciativa tem como objetivo capacitar profissionais e acadêmicos da saúde, gestores e autoridades públicas, fornecendo ferramentas técnicas e legais para o uso seguro desses medicamentos. “Queremos fortalecer a atuação ética e segura no mercado, garantindo proteção à saúde dos pacientes e respeito à legislação sanitária”, destaca Barreto, reforçando a necessidade de responsabilidade e informação no uso das canetas emagrecedoras.

