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Silvia Simões

A Lenda do Cebolinha Caçulinha e o Ônibus Encantado de Santarém

Silvia Simões
Por Silvia Simões
04/08/2026 19h54 — em Silvia Simões

Os mais antigos de Santarém contam que, muito antes dos celulares e das redes sociais, existia um rapaz tão inocente que acabou virando personagem do folclore da cidade. Seu nome era Cebolinha Caçulinha, o caçula de uma família conhecida por criar boas histórias para alegrar as rodas de conversa.
Cebolinha Caçulinha tinha três irmãs, moças bonitas, alegres e doidas para passear na praça, tomar um sorvete e, quem sabe, trocar alguns olhares com os rapazes da cidade.

O problema era o pai.​Homem sério e conservador, decretou:— Só vão se um dos irmãos acompanhar vocês!

Os irmãos mais velhos logo deram um jeito de desaparecer. Mas Cebolinha Caçulinha, sempre disposto a ajudar, levantou a mão todo animado:
— Eu vou! As irmãs trocaram um olhar de cumplicidade e responderam na mesma hora:
— É você mesmo que a gente queria!
Cebolinha Caçulinha abriu um sorriso que ia de uma orelha à outra, sem imaginar que acabara de cair na maior armadilha da história. No caminho para a praça, uma das irmãs perguntou:
— Cebolinha Caçulinha, tu já passeaste de ônibus só por passear?
— Nunca!
— Então hoje é teu dia de sorte!
Quando o ônibus chegou, elas conversaram discretamente com o motorista.
— Seu motorista, deixa ele rodando por aí. A gente paga a passagem. Ele gosta de passear.
O motorista, já segurando o riso, respondeu:
— Pode deixar comigo!
Cebolinha Caçulinha entrou no ônibus todo feliz.
— Rapaz, isso aqui é bom demais! Parece um parque de diversão!
Enquanto isso, as irmãs seguiram tranquilamente para a praça, passearam, conversaram, tomaram sorvete e ainda conseguiram paquerar alguns rapazes, tudo sem preocupação.
Já Cebolinha Caçulinha…
Cada vez que o ônibus passava pela rua de sua casa, ele abria a janela e gritava bem alto:
— Ô, Maria!
Na volta seguinte:
— Ei, Joana!
Mais uma volta:
— Mãe! Tô passeando de ônibus!
E outra:
— Pai! Olha eu aqui!
O ônibus passava tantas vezes que até os vizinhos começaram a rir.
O pai, intrigado, saiu para a varanda.
— Ué... esse menino ainda está rodando de ônibus?
Na mesma hora desconfiou.
— Essas meninas deram um jeito de se livrar do CebolinhaCaçulinha e foram sozinhas para a praça!
Ficou esperando o retorno da turma, já preparando uma daquelas broncas que faziam até o cachorro da casa se esconder debaixo da mesa.
Quando as irmãs finalmente chegaram, para surpresa do pai, Cebolinha Caçulinha vinha descendo do ônibus com o maior sorriso do mundo.
— Pai! Rodei a cidade todinha! Passei na frente de casa um monte de vezes!
Antes que o pai começasse a reclamar, a mãe entrou na frente e falou:


— Homem, deixa de implicância! As meninas passearam direitinho, o Cebolinha Caçulinha realizou o sonho dele de andar de ônibus e todo mundo voltou para casa em paz.
Cebolinha Caçulinha completou:
— E amanhã eu quero passear de novo!
As irmãs não conseguiram segurar a gargalhada.
O pai balançou a cabeça, respirou fundo e acabou rindo também.
Dizem que, daquele dia em diante, sempre que um ônibus passava pela rua, os moradores brincavam:
— Será que o Cebolinha Caçulinha ainda está dando voltas?
E assim nasceu uma das histórias mais engraçadas que o povo gosta de contar nas calçadas, nas praças e às margens do Tapajós.
Porque toda cidade tem seus heróis…
Tem seus pescadores…
Tem seus contadores de causos…
E Santarém, dizem os mais antigos, também ganhou seu personagem folclórico: Cebolinha Caçulinha, o único homem que foi passear de ônibus enquanto as irmãs passeavam pela praça.
E até hoje, quando alguém é enganado de um jeito inocente, sempre aparece um santareno sorrindo e dizendo:
— Rapaz... essa foi do tempo do Cebolinha Caçulinha!

Silvia Simões

Silvia Simões

Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]

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