Por Silvia Luiza Simões Passos e Djalma Maciel de Lima
Quando se fala em cooperativas de crédito, muitas pessoas associam, imediatamente, a instituição a taxas mais justas, participação democrática e desenvolvimento local. No entanto, poucos conhecem o verdadeiro alicerce que sustenta esse modelo financeiro: as cotas-partes.
Diferentemente dos bancos tradicionais, onde o controle e os resultados estão concentrados nas mãos de acionistas, as cooperativas pertencem aos próprios associados (cooperados). É por meio das cotas-partes, que constituem o capital social da cooperativa, que cada cooperado se torna coproprietário da instituição, participando, não apenas dos serviços oferecidos, mas também da construção do seu futuro, da sua sustentabilidade e da sua perenidade.
As cotas-partes a efetiva participação do associado no capital social da cooperativa, que além de permitir o crescimento do patrimônio social da instituição, norteiam o pagamento de juros ao capital e a distribuição de sobras, ao final de cada exercício. Mais do que aporte financeiro, constituem mecanismo essencial para garantir recursos destinados à expansão das operações, à ampliação da oferta de crédito e à manutenção da estabilidade financeira da organização.
Esse modelo fortalece a relação diferenciada entre associado e cooperativa. Ao investir no capital social, o cooperado deixa de ser apenas usuário dos serviços financeiros e passa a integrar efetivamente a estrutura da instituição, exercendo seu direito de participação nas decisões estratégicas.
As cotas-partes, além de fortalecer a sustentabilidade econômica, contribuem para ampliar a capacidade das cooperativas em atender seus associados com condições mais acessíveis, impulsionando o desenvolvimento regional e promovendo a inclusão financeira em localidades ignoradas pelo sistema bancário tradicional.
O sentimento de pertencimento é fortalecido pelas cotas-partes constituindo-se em benefício relevante. O cooperado compreende que está investindo em uma organização da qual também é dono, criando ambiente de maior confiança, transparência e responsabilidade compartilhada.
Em tempos de desafios econômicos e transformações constantes no mercado financeiro, o cooperativismo de crédito demonstra que é possível unir eficiência, participação democrática e compromisso social. Nesse cenário, as cotas-partes assumem papel estratégico para garantir o crescimento sustentável das cooperativas e ampliar seu impacto positivo nas comunidades.
Mais do que obrigação estatutária, as cotas-partes representam investimento coletivo no desenvolvimento econômico e social. São elas que ajudam a construir instituições mais sólidas, inclusivas e preparadas para enfrentar os desafios do futuro.
Silvia Luiza Simões Passos e Djalma Maciel de Lima são pesquisadores e estudiosos do cooperativismo de crédito, com atuação voltada à governança cooperativa, inclusão financeira e desenvolvimento socioeconômico.
Silvia Simões
Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]
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