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Silvia Simões

Os médicos na UTI do do Amazonas

Silvia Simões
Por Silvia Simões
23/07/2026 11h05 — em Silvia Simões

No Amazonas, tem uma coisam que nunca entra em greve: a doença.

Ela chega sem avisar, de madrugada, no domingo, no feriado ou na segunda-feira debaixo de chuva. Mas quem precisa de atendimento, muitas vezes, encontra portas fechadas, corredores lotados e profissionais trabalhando sob pressão.

Nesta semana, a paralisação de médicos, técnicos e auxiliares terceirizados escancarou um problema que há muito tempo vem sendo empurrado para debaixo do tapete: profissionais sem receber salários em dia e pacientes pagando a conta dessa desorganização.

E quem mais sofre? O amazonense.

É ele quem acorda às quatro da manhã para tentar uma ficha. É ele quem passa horas sentado em uma cadeira de plástico esperando ser chamado. É ele quem entra no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto com dor e não sabe a que horas vai sair. É ele quem lota o Hospital Delfina Aziz, esperando que o sistema funcione.

Enquanto isso, em época de eleição, a saúde parece até melhorar. As promessas aparecem mais rápido que ambulância em campanha. Surgem discursos emocionados, visitas aos hospitais, fotos de jaleco, vídeos de corredores e promessas de que "agora vai".

Vai?

Passa a eleição e a realidade volta a bater na porta de quem depende exclusivamente do SUS.

Vale lembrar que grandes hospitais que hoje fazem parte da história da saúde do Amazonas nasceram em governos diferentes. O Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto foi inaugurado durante a gestão de Gilberto Mestrinho, o eterno "Boto Navegador". Décadas depois, o Hospital Delfina Aziz passou a integrar a rede estadual durante o governo Omar Aziz. Obras importantes ficaram como patrimônio do Estado. Mas hospital de concreto, por si só, não cura ninguém.

Quem salva vidas são profissionais valorizados, salários pagos em dia, medicamentos disponíveis, equipamentos funcionando e gestão eficiente.

Não existe prédio moderno capaz de substituir respeito por quem trabalha e dignidade para quem espera atendimento.

A população também precisa entender uma verdade incômoda: o voto não termina na urna. O voto continua quando se cobra, quando se acompanha, quando se fiscaliza e quando se lembra das promessas feitas durante a campanha.

Porque memória curta custa caro.

E custa, muitas vezes, uma noite inteira numa fila de hospital.

A democracia oferece ao cidadão uma ferramenta poderosa: o voto. Mas essa ferramenta só produz mudanças quando é usada com consciência, olhando menos para o discurso e mais para o histórico, para os resultados e para o compromisso com a população.

No fim das contas, quem nunca espera é a doença.

Quem sempre espera... é o povo.

E o povo do Amazonas já está cansado de tanto esperar.

Silvia Simões

Silvia Simões

Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]

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