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Silvio da Costa Bringel Batista

Engrenagens do Poder e o Tabuleiro Político de 2026 no Amazonas

Silvio da Costa Bringel Batista
Por Silvio da Costa Bringel Batista
18/01/2026 às 12h49 — em Silvio da Costa Bringel Batista
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Engrenagens do Poder e o Tabuleiro Político de 2026 no Amazonas: A Anatomia da Sobrevivência Política.

Uma imersão nos bastidores da sucessão estadual: das alianças de conveniência à quebra de hegemonias, entenda como o movimento das peças em 2026 pode desenhar o fim de eras e o nascimento de novas forças no Amazonas .

Por Silvio da Costa Bringel Batista*

1. INTRODUÇÃO

O sistema político brasileiro opera sob a lógica das janelas de oportunidade, e nenhuma delas é tão decisiva quanto a “Janela Partidária”. Estamos a poucos meses de março, quando se abre o período legal de 30 dias que permite a deputados federais e estaduais a mudança de legenda sem a perda do mandato por infidelidade.

No Amazonas, esse intervalo não será apenas uma formalidade burocrática; será o marco zero de um processo de "limpeza de terreno" e reposicionamento que promete encerrar ciclos históricos e consolidar novas hegemonias. Enquanto o relógio avança para o prazo fatal de 4 de abril - data limite para filiações e domicílios eleitorais -, os bastidores de Manaus fervem em uma mistura de pragmatismo eleitoral, busca por sobrevivência e a sede por uma "cara nova" no comando do Estado.

O cenário político do Amazonas entra em 2026 assistindo a um rearranjo de forças que mistura o surgimento de novas lideranças. O declínio de figuras que outrora pareciam inabaláveis e estratégias de sobrevivência que podem unir antigos desafetos em torno de um objetivo comum: o poder.

Contudo, para o eleitor atento, o que se desenha não é apenas uma troca de siglas, mas uma anatomia da lealdade: em um tabuleiro onde o inimigo de ontem vira o salva-vidas de amanhã, o Amazonas assiste ao desmonte de mitos e à construção de uma nova ordem política que desafia tudo o que sabíamos até aqui.

2. A JANELA ELEITORAL: O RELÓGIO DA SOBREVIVÊNCIA

A chamada "Janela Partidária", um intervalo de 30 dias que ocorrerá entre março e abril deste ano, é o marco zero para os parlamentares que buscam novos ares. Juridicamente, é a única brecha para que detentores de mandatos proporcionais (Deputados Federais e Estaduais) troquem de legenda sem o risco de perda de cargo por infidelidade. O dia 4 de abril é a data fatal; quem não estiver com a filiação e o domicílio eleitoral devidamente regularizados até esta data estará, por força de lei, fora do pleito de outubro.

Enquanto deputados estaduais e federais celebram o mês de março como o período de "passe livre" para trocar de legenda, os vereadores vivem um dilema de fidelidade forçada. Ao contrário do que muitos pensam, a Janela Partidária de 2026 não contempla o cargo de vereador. A legislação eleitoral (Lei nº 13.165/2015) estabelece que a janela só se abre para quem está no último ano do mandato para o qual foi eleito. Assim:

* Em 2024: Os vereadores puderam trocar de partido porque seus mandatos terminariam naquele ano.

* Em 2026: Os mandatos que se encerram são os de Deputados (Estaduais e Federais), Governadores, Senadores e Presidente. Como o vereador foi eleito em 2024 para um mandato até 2028, ele não está em fim de mandato em 2026.

Se um vereador de Manaus ou de qualquer município do Amazonas decidir trocar de partido em 2026 para fortalecer sua candidatura a Deputado Estadual, Federal ou Senador, ele comete infidelidade partidária.

* A consequência: O partido original pode (e geralmente vai) requerer a cadeira na Justiça Eleitoral. O mandato pertence à legenda, e sem a proteção da "Janela", o parlamentar fica vulnerável à cassação imediata.

* As Exceções de "Justa Causa": As únicas saídas seriam a criação de um novo partido, a fusão/incorporação da legenda atual, desvio reiterado do programa partidário ou grave discriminação pessoal - situações difíceis de provar juridicamente apenas para fins eleitorais.

Ademais, o drama é real, pois para ser candidato na eleição de 2026, o vereador precisa de um partido que lhe dê legenda e fundo partidário. Se ele estiver em um partido "pesado", onde a cláusula de barreira interna é alta, ele pode querer sair para uma sigla menor onde teria mais chances. Entretanto, o impasse surge em se ele sair, perde o cargo de vereador hoje. Se ficar, pode ser apenas um "escada" para os figurões do partido na disputa federal ou estadual.

Para o vereador que sonha com a Assembleia Legislativa (ALEAM), a Câmara Federal ou o Senado em 2026, o cenário é de confinamento. Ele terá que disputar a eleição pelo mesmo partido pelo qual se elegeu em 2024, ou arriscar o mandato atual em uma aventura jurídica incerta.

3. O DECLÍNIO DO CORONEL MENEZES: DO "COMPADRE" AO ISOLAMENTO

Para o Coronel Menezes (PP), 2026 apresenta-se como um "tira-teima" dramático. Após uma votação expressiva de 730 mil votos para o Senado em 2022, o militar agora enfrenta o teste de fogo para descobrir se aquele capital político era seu ou apenas um empréstimo temporário de Jair Bolsonaro. O isolamento de Menezes não foi um acidente, mas o resultado de uma série de erros estratégicos:

* Rachas e Ofensas: O estopim foi sua expulsão do PL após um atrito público com o deputado federal Capitão Alberto Neto, a quem Menezes chamou de "Judas" e "mentiroso contumaz". O embate com o presidente estadual da sigla, Alfredo Nascimento, selou seu destino fora da estrutura bolsonarista oficial.

* A Quebra da Lealdade: Em 2024, Menezes foi acusado de dividir a direita ao disparar vídeos via WhatsApp com provocações diretas a Bolsonaro e ao se aliar a adversários históricos do grupo na capital.
 
* O "Gelo" de Brasília: Em 2025, uma tentativa de reaproximação com Bolsonaro em Brasília, evidenciou o distanciamento entre os políticos. Interlocutores relatam uma reunião marcada pelo silêncio de Bolsonaro, que sequer registrou o encontro em suas redes sociais, frustrando o plano de Menezes de retornar ao núcleo de articulação.
 
* Vazio de Legado: Soma-se a isso a crítica à sua passagem pela Suframa. Apesar do cargo estratégico, adversários apontam que Menezes não deixou marcas, obras ou políticas estruturantes para a Zona Franca de Manaus, tornando sua imagem de "gestor técnico" vulnerável.

Muitos analistas e bastidores políticos de Manaus sustentam que a decisão do Coronel Menezes de não concorrer a uma vaga para a Câmara Municipal em 2024 não foi uma escolha de prestígio, mas uma manobra de sobrevivência para evitar a "prova dos nove" de seu capital político. Após ser o segundo mais votado para o Senado em 2022, o retorno para uma disputa proporcional de vereador trazia um risco existencial: o de demonstrar, em números frios, o esvaziamento do “seu” capital político após o afastamento de Jair Bolsonaro.

Se Menezes fosse candidato a vereador, ele teria a obrigação moral e política de ser o mais votado da cidade, superando a barreira dos 30 ou 40 mil votos para manter seu status de "puxador". No entanto, o cenário de 2024 era hostil: sem a legenda do PL, expulso após o embate com Alberto Neto e sem as fotos oficiais ao lado do "Capitão", Menezes corria o risco real de ter uma votação pífia.

Uma votação abaixo do esperado para vereador selaria seu destino como "político". Seria a prova documental de que seus votos de 2022 não eram dele, mas sim um "empréstimo" ideológico do bolsonarismo que já havia sido devolvido. Ao preferir se "esconder" atrás de uma candidatura de vice-prefeito na chapa de Roberto Cidade (União Brasil), Menezes buscou um refúgio estratégico, com:
 
* Diluição da Responsabilidade: Em uma chapa majoritária, a derrota ou a baixa votação pode ser atribuída ao cabeça da chapa ou à dinâmica da coligação, nunca exclusivamente ao vice.

* Manutenção da Narrativa: Como vice, ele pôde continuar se apresentando como uma liderança de "nível estadual", evitando o desgaste do corpo a corpo nos bairros que uma campanha de vereador exige.

* Sobrevivência por Tabela: Menezes apostou que a máquina estadual de Wilson Lima e a estrutura de Roberto Cidade o carregariam de volta ao poder sem que ele precisasse colocar seu próprio nome à prova do eleitorado de forma individualizada.
 
No entanto, a estratégia deixou rastros. Para o eleitorado conservador, a ausência de Menezes nas nominatas de vereadores foi lida como um sinal de fraqueza e falta de coragem para enfrentar o teste das urnas sem as muletas do poder. Em 2026, ele chegará sem o "treino" de 2024 e com o estigma de quem preferiu o conforto da vice-prefeitura ao risco da representatividade direta.

4. A CHAPA "PURO-SANGUE": MARIA DO CARMO E ALBERTO NETO

Em contrapartida ao isolamento de Menezes, o PL Amazonas consolidou o que Bolsonaro chama de “Cara Nova”. A chapa majoritária de direita parece fechada: Professora Maria do Carmo Seffair para o Governo e Capitão Alberto Neto para o Senado.

Maria do Carmo ascendeu como a voz do equilíbrio. Além de sua trajetória de sucesso na gestão educacional, ela traz o apelo histórico de poder ser a primeira governadora eleita do Amazonas. Com o apoio fervoroso de Michelle Bolsonaro - um trunfo decisivo para conquistar a base evangélica e feminina -, Maria do Carmo utiliza suas redes para pregar fé e união, distanciando-se da retórica agressiva de Menezes. A chancela final veio com a foto ao lado do casal Bolsonaro em Brasília: "Amazonas de cara nova. Professora Maria do Carmo, nossa pré-candidata".

Neste cenário, Alberto Neto disparou nas pesquisas, consolidando-se como o favorito da direita para o Senado, deixando para trás os atritos do passado e focando na herança integral dos votos bolsonaristas.

5. A RESSURREIÇÃO DE PLÍNIO VALÉRIO

Outro protagonista de 2026 é o senador Plínio Valério (PSDB). Após um início de mandato discreto e quase "apagado", Plínio soube construir uma trajetória ascendente. Seu trabalho na CPI das ONGs deu-lhe autoridade técnica sobre a Amazônia, mas foi seu enfrentamento direto aos desmandos do STF que o fez despontar perante o eleitorado conservador e moderado. Plínio hoje é visto como o defensor do equilíbrio entre os poderes, o que o torna um aliado cobiçado para qualquer chapa majoritária.

O Senador Plínio Valério (PSDB) deixou de ser um "azarão" para se tornar um pilar técnico e ideológico no Senado. Sua trajetória é marcada pela defesa intransigente do desenvolvimento econômico do Estado, muitas vezes batendo de frente com a agenda ambiental internacional.

Plínio não apenas presidiu a CPI das ONGs, ele a transformou em um tribunal de denúncias contra o que chama de "indústria da miséria".

* A Tese: O senador sustenta que certas organizações internacionais utilizam a pauta ambiental para manter o Amazonas em um estado de subdesenvolvimento, impedindo que os recursos naturais (como o potássio em Autazes) sejam explorados em benefício da população local.

* O Resultado: Esse discurso ressoa fortemente no interior do Estado, onde o isolamento econômico e a falta de infraestrutura (como a BR-319) são dores reais. Plínio se posiciona como o político que quer "tirar o Amazonas da redoma de vidro".

Enquanto muitos evitam temas polêmicos, Plínio é a voz mais alta em Brasília na defesa de:

* Potássio em Autazes: Ele critica duramente as interferências judiciais que atrasam a exploração, argumentando que o Brasil não pode depender de fertilizantes da Rússia ou Canadá enquanto o Amazonas pisa sobre a solução.

* Petróleo na Foz do Amazonas: O senador é um defensor ferrenho da pesquisa e exploração na margem equatorial, vendo nela a chance de um novo ciclo de prosperidade para o Estado, aos moldes do que o pré-sal fez com o Rio de Janeiro.

Plínio Valério é o autor da PEC 16/2019, que propõe o fim da vitaliciedade para ministros do STF e limita o mandato a oito anos.

* O Gancho Eleitoral: Ao encampar essa pauta, ele atraiu o eleitorado que sente uma usurpação de poder por parte do Judiciário. Suas críticas às "decisões monocráticas" e ao "ativismo judicial" o colocam em um campo comum com o bolsonarismo, mas com um verniz de seriedade legislativa que o diferencia dos perfis apenas barulhentos.

No tabuleiro de 2026, Plínio Valério entra com uma estrutura modesta de partido (PSDB), mas com um recall de prestígio imenso. Ele é o candidato que pode roubar votos de todos os campos:

* Da Direita: Pela pauta contra o STF e defesa da mineração.

* Do Centro/Interior: Pelo discurso do desenvolvimento regional e infraestrutura.

* Fato Novo: Recentemente, Plínio declarou que o PSDB deve "marchar sozinho" em 2026. Isso indica que ele se sente confiante o suficiente para não ser apenas um "puxador de votos" para coligações maiores, mas sim um nome para encabeçar uma das duas vagas ao Senado, confiando no reconhecimento de sua atuação combativa em Brasília.

6. O DILEMA DE WILSON LIMA E O SUPERBLOCO DE PODER

Para o governador Wilson Lima (União Brasil), a eleição é uma questão de sobrevivência. Sem reeleição, ele precisa renunciar em abril para disputar o Senado e não cair no "vácuo eleitoral".

A estratégia desenhada nos bastidores envolve a entrega da "caneta" ao vice Tadeu de Souza (Avante), que assumiria o Governo com o apoio total do prefeito David Almeida. Este "Superbloco" - unindo as máquinas estadual e municipal - teria uma força política avassaladora, capaz de dominar o interior e a capital. O objetivo central? Enterrar o ciclo político de Eduardo Braga (MDB), tirando-o da disputa pelo Senado e encerrando de vez o grupo que sucedeu Amazonino Mendes.

Como existem duas vagas para o Senado, Wilson Lima joga com todas as cartas. Tudo indica que sua prioridade é ser eleito, custe o que custar:

* Plano A: O Superbloco com Tadeu e David, visando a renovação total.

* Plano B: Uma aliança com Plínio Valério, buscando o eleitorado de centro e a credibilidade técnica do tucano.

* Plano C: Uma "dobradinha" pragmática com Eduardo Braga. Antigos rivais uniriam forças para blindar as duas vagas e neutralizar a ascensão da nova direita.

* Plano D: O que vier, desde que viabilize sua eleição ao Senado.

Não se espante se vir Wilson Lima e Eduardo Braga no mesmo palanque em 2026. O Plano "C" do atual governador é puramente pragmático: unir a máquina estadual ao voto consolidado de Braga no interior para blindar as duas vagas ao Senado. Na política Baré, a sobrevivência costuma falar mais alto que as mágoas de eleições passadas.

7. OMAR AZIZ: O "SEGURO-DESEMPREGO" DE LUXO E O FAVORITISMO AO GOVERNO

Enquanto o cenário político do Amazonas ferve em torno de renúncias arriscadas e buscas desesperadas por legenda, o senador Omar Aziz (PSD) desfruta de uma posição que nenhum outro ator político possui em 2026: a imunidade ao risco. Reeleito em 2022 para um mandato que se estende até 2030, Omar é o único "sobrevivente" garantido no tabuleiro. Se decidir disputar o Governo do Estado e vencer, retorna ao Palácio da Compensa; se perder, mantém sua cadeira de destaque no Senado Federal por mais quatro anos.

Dados colhidos entre dezembro de 2025 e o início de janeiro de 2026 (institutos como Real Time Big Data e Perspectiva) mostram Omar Aziz na liderança isolada em quase todos os cenários estimulados para o Governo do Amazonas.

* O Retorno do "Amazonas Forte": Através do movimento "Amazonas Forte de Novo", Omar tem resgatado a memória de sua gestão anterior (2010-2014), focando em entregas estruturantes e na sua forte capilaridade no interior do estado.

* Potencial de Vitória no 1º Turno: Em simulações de votos válidos, Omar chega a flutuar entre 46% e 54%, o que levanta a possibilidade real de uma vitória sem necessidade de segundo turno, especialmente se a direita (Maria do Carmo) e o grupo governista (Tadeu/Wilson) continuarem fragmentados.

Apesar do favoritismo numérico, o Senador carrega um fardo pesado: a maior taxa de rejeição entre os pré-candidatos, batendo a casa dos 42%. Esse número é o reflexo de sua longa trajetória política e de sua atuação em pautas nacionais polêmicas, o que pode ser um teto perigoso em um eventual segundo turno contra um nome de "baixa rejeição" ou uma "cara nova".

O grande trunfo de Omar em 2026 não é apenas o seu nome, mas o arco de alianças que ele lidera. Ao lado de Eduardo Braga e, ocasionalmente, flertando com o apoio de David Almeida, Omar tenta consolidar um bloco de oposição ao atual governo que domina o tempo de TV e a estrutura partidária (PSD, MDB e Avante).

Omar tem sido o fiel da balança na relação com o prefeito de Manaus, mas aparentemente a recíproca não tem sido verdadeira. Mas se conseguir atrair David Almeida para sua chapa, ou garantir que o prefeito não lance um nome competitivo que divida os votos da capital, Omar pavimenta um caminho quase livre para a vitória.

Para Omar Aziz, a eleição de 2026 é um jogo de "ganha-ganha". Ele utiliza a candidatura ao governo para:

* Fortalecer o PSD no Estado, fazendo uma bancada robusta de deputados.

* Servir de escudo e puxador de votos para aliados que precisam de mandato (como o próprio Eduardo Braga, que busca a reeleição ao Senado).

* Manter-se como o interlocutor principal do Governo Federal no Amazonas, independentemente do resultado local.

Enquanto Wilson Lima precisa renunciar e entregar a caneta para tentar o Senado e Menezes tenta se reencontrar após o racha com Bolsonaro, Omar Aziz joga com as cartas marcadas. Ele é o único que pode se dar ao luxo de errar, pois seu porto seguro em Brasília já está garantido até 2030.

Embora o senador Omar Aziz (PSD) lidere numericamente as pesquisas de intenção de voto, sua trajetória em 2026 carrega um risco latente: a sua umbilical proximidade com o presidente Lula. Em um Estado como o Amazonas, onde a capital, Manaus, demonstrou um forte alinhamento conservador e uma rejeição crescente ao petismo, o apoio de Lula pode se transformar em um "abraço de afogado”.

Analistas políticos apontam que o cenário de 2026 será influenciado pelo desempenho ético e administrativo do Governo Federal. Com as investigações avançando sobre figuras próximas ao núcleo familiar e político do presidente Lula, o desgaste da imagem presidencial tende a respingar diretamente em seus aliados mais fiéis. Omar Aziz, que atuou como uma espécie de "escudo" do governo no Senado e na CPI da Pandemia, é visto pelo eleitorado antipetista como o braço direito de Lula no Amazonas.

Pesquisas recentes (dezembro/2025) já indicam que 52% dos amazonenses desaprovam a gestão Lula. Esse sentimento de rejeição é o combustível que alimenta a taxa de 42% de rejeição do próprio Omar Aziz. Se o governo federal chegar a 2026 sob o signo de novos escândalos, Omar pode ver seu favoritismo no interior ser engolido pela onda de indignação da capital, tornando sua candidatura ao Governo uma missão de alto risco.

O vínculo com o lulismo de Omar Aziz é o que dá munição à chapa de Maria do Carmo Seffair e Alberto Neto. Enquanto eles se apresentam como a "cara nova" e a esperança de renovação sob a bênção de Bolsonaro e Michelle, Omar Aziz fica posicionado como o representante do sistema tradicional e de um governo federal que enfrenta resistência no Estado. Em um eventual segundo turno, o desafio de Omar será descolar sua imagem das polêmicas de Brasília para focar em sua história como gestor estadual - uma tarefa hercúlea diante da velocidade das redes sociais e da polarização ideológica.

No primeiro turno, a fragmentação de candidaturas (Maria do Carmo, o nome do Superbloco de Wilson/David e outros) favorece Omar, que mantém um voto consolidado no interior. Contudo, em um eventual segundo turno, ocorre o fenômeno da "convergência contra o sistema". Toda a rejeição ao lulismo e aos grupos tradicionais tende a se unir em torno de qualquer adversário que chegue à fase final contra Omar - seja a "cara nova" de Maria do Carmo ou a força da máquina municipal. Sem o controle de um sentimento de renovação, Omar Aziz pode descobrir que seu favoritismo é, na verdade, um teto de vidro difícil de sustentar sob o sol escaldante da polarização amazonense.

8. CONCLUSÃO: O GRANDE TIRA-TEIMA

As eleições de 2026 no Amazonas não serão apenas uma disputa por cargos, mas um acerto de contas com o passado e uma aposta no inédito. Entre a "cara nova" de Maria do Carmo, a lealdade de Alberto Neto, o resgate técnico de Plínio Valério e a estratégia de sobrevivência de Wilson Lima, o estado se prepara para o maior embate político de sua história recente. O que falta definir são os vices e suplentes - nomes que, em uma disputa tão acirrada, serão o fiel da balança entre o sucesso e o esquecimento político.

Nesse cenário, as figuras de Omar Aziz e Eduardo Braga surgem como os pilares de uma "resistência" tradicional. Através do movimento "Amazonas Forte de Novo", a dupla tenta reeditar a parceria que dominou o Estado em décadas passadas, jogando com a memória afetiva do eleitor e com uma estrutura partidária colossal. Enquanto Omar joga com o conforto de seu mandato até 2030, Braga luta para provar que sua experiência ainda é indispensável no Senado.

O que falta definir são os vices e suplentes para o Senado - nomes que, em uma disputa tão acirrada e marcada pela polarização entre o lulismo e o bolsonarismo, serão o fiel da balança entre o sucesso de um novo ciclo e o esquecimento político definitivo de grupos que outrora pareciam imbatíveis.

O Amazonas está diante de um espelho: de um lado, o desejo pela renovação técnica e feminina; do outro, o peso das máquinas e o pragmatismo de quem sabe que, na política, a sobrevivência é a única regra que não permite erros.
No entanto, em um Estado onde as águas dos rios mudam o curso das cidades, a política costuma reservar seus maiores segredos para o silêncio da cabine de votação. Enquanto Omar Aziz e Eduardo Braga apostam na solidez de suas estruturas e na memória do eleitor, e as 'novas caras' tentam surfar na onda do ineditismo, uma pergunta ainda paira sem resposta nos corredores do poder em Manaus: quem será o fato novo - ou o erro inesperado - capaz de implodir esses cálculos e redesenhar o destino do Amazonas no último segundo?

Em 2026, o xeque-mate pode vir de onde menos se espera, e o suspense só termina quando o último voto for computado.

(*) O autor é Cristão Evangélico, Doutorando em Teologia pelo Instituto Logos, Consagrado ao Ofício Diaconal pela Igreja Batista em Dom Pedro, Formado em Direito pela UFAM, Pós-Graduado em Direito Civil e Processo Civil, Procurador da Câmara Municipal de Manaus, Advogado, Presidente da Comissão da Advocacia Pública e Membro Titular da Comissão de Apoio Institucional à Gestão Pública da OAB/AM, Corretor de Imóveis, CAC, Antigomobilista, Apresentador do Podcast “Lei é Lei”, ex-Juiz Classista da Justiça do Trabalho, ex-Procurador-Geral da CMM, ex-Diretor-Geral da CMM, ex-Chefe da Consultoria Técnico-Legislativa e ex-Subsecretário Chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Amazonas

Silvio da Costa Bringel Batista

Silvio da Costa Bringel Batista

(*) O autor é Cristão Evangélico, Doutorando em Teologia pelo Instituto Logos, Consagrado ao Ofício Diaconal pela Igreja Batista em Dom Pedro, Formado em Direito pela UFAM, Pós-Graduado em Direito Civil e Processo Civil, Procurador da Câmara Municipal de Manaus, Advogado, Presidente da Comissão da Advocacia Pública e Membro Titular da Comissão de Apoio Institucional à Gestão Pública da OAB/AM, Corretor de Imóveis, CAC, Antigomobilista, Apresentador do Podcast “Lei é Lei”, ex-Juiz Classista da Justiça do Trabalho, ex-Procurador-Geral da CMM, ex-Diretor-Geral da CMM, ex-Chefe da Consultoria Técnico-Legislativa e ex-Subsecretário Chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Amazonas.

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