Sem infraestrutura permanente, o Brasil não alcança o protagonismo científico compatível com as competências que já tem instaladas no país. Foi essa a avaliação predominante em mesa-redonda coordenada pela presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Francilene Garcia, no último dia da programação científica da 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói. Ela lembrou que o país aplica 1,2% do Produto Interno Bruto em pesquisa e desenvolvimento, patamar significativo em relação a décadas atrás, mas ainda pequeno diante do tamanho dos desafios nacionais.
Representando o Ministério da Gestão, Celina Pereira defendeu que a administração pública funciona como uma infraestrutura invisível e transformadora, capaz de definir prioridades, coordenar atores e levar inovação à sociedade, citando o SUS e o Cadastro Ambiental Rural como exemplos de ciência aplicada em larga escala. Já Osvaldo Moraes, do MCTI, apontou casos de sucesso como o Sirius, em Campinas, e a atuação da Embrapa, mas reconheceu a dificuldade de estruturar e manter instituições de ponta. A meta traçada pela Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação é chegar a 2% do PIB, além de conectar a infraestrutura acadêmica à cadeia produtiva e garantir financiamento contínuo — condição, segundo ele, para enfrentar desafios como a crise climática.
Pelo Ministério da Saúde, Fernanda De Negri alertou que sem capacidade endógena de produzir conhecimento não há soberania, diante do envelhecimento populacional, do encarecimento dos medicamentos e das mudanças climáticas. Ela citou o Programa de Inovação Radical em Saúde, os centros de competência em RNA mensageiro e em insumos da biodiversidade brasileira, e o Genomas Brasil, que hoje precisa menos de prédios e equipamentos e mais de uma plataforma de dados genômicos — importante porque os remédios em uso foram desenvolvidos para a população europeia, geneticamente distinta da brasileira. Garcia encerrou lembrando que soberania se faz com continuidade, e não com anúncios.




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