Por Stephen Nellis
SÃO FRANCISCO, Estados Unidos, 13 Mar (Reuters) - A Amazon.com e a Cerebras Systems disseram nesta sexta-feira que chegaram a um acordo para combinar os chips de computação das duas empresas em um novo serviço destinado a acelerar chatbots, ferramentas de programação e outros serviços de inteligência artificial.
Avaliada em US$23,1 bilhões, a Cerebras é uma startup de chips que pretende enfrentar a Nvidia construindo um tipo fundamentalmente diferente de processador de IA que não depende de memória cara de alta largura de banda, como fazem os principais chips da Nvidia. No início deste ano, a Cerebras assinou um acordo de US$10 bilhões para fornecer processadores para a OpenAI, criadora do ChatGPT.
Os chips da Cerebras vão equipar data centers da Amazon Web Services (AWS) e serão vinculados aos chips de IA personalizados Trainium3 da própria Amazon, conectados à tecnologia de rede personalizada da Amazon.
"Todos os clientes, grandes ou pequenos, estão na AWS, desde desenvolvedores individuais até os maiores bancos do mundo", disse o presidente-executivo da Cerebras, Andrew Feldman, à Reuters, afirmando que o acordo "tornará fácil como um clique entrar na Cerebras".
O valor do negócio não foi revelado.
Amazon e Cerebras se unirão para lidar com o que é conhecido como "inferência", em que sistemas de IA previamente treinados recebem solicitações de usuários e fornecem respostas. As duas empresas dividirão essa tarefa em duas etapas, uma chamada "pré-preenchimento", em que a solicitação do usuário é transformada de palavras humanas para a linguagem de "tokens" que os computadores de IA usam, e um estágio de "decodificação", em que o computador de IA fornece a resposta que o usuário está procurando.
A Amazon disse que seus chips Trainium3 cuidarão do pré-preenchimento, enquanto os chips Cerebras cuidarão da decodificação, o que Feldman disse à Reuters ser uma "estratégia de dividir para conquistar".
É uma estratégia semelhante àquela que os analistas esperam que a Nvidia revele na próxima semana, quando detalhará como planeja combinar seus próprios chips gráficos (GPU) com os da Groq, uma startup na qual investiu US$17 bilhões no final de dezembro. A Amazon disse que ainda não podia fazer uma comparação detalhada entre sua oferta, que entrará em operação no segundo semestre deste ano, e a oferta ainda não revelada da Nvidia.
"O cronograma para esse emparelhamento (Nvidia-Groq) permanece incerto, enquanto nosso programa Trainium3 está a apenas alguns meses de executar cargas de trabalho de produção", disse a Amazon em resposta a perguntas da Reuters. "O que podemos dizer é que acreditamos que o (Trainium3) - e o futuro (Trainium4) - continuarão a liderar em termos de preço-desempenho em relação às GPUs comerciais."

