Por Foo Yun Chee
BRUXELAS, 5 Mai (Reuters) - Um importante cientista do Google enviou nesta terça-feira um aviso aos órgãos de defesa da concorrência da União Europeia afirmando que a proposta que exige que a empresa compartilhe dados do mecanismo de busca com rivais, como a OpenAI, corre o risco de expor informações privadas dos usuários.
Nos últimos anos, a Comissão Europeia, que atua como fiscalizadora da concorrência na UE, tem reprimido as grandes empresas de tecnologia por meio de uma série de legislações para garantir que os usuários tenham mais opções e que os rivais menores tenham espaço para competir, o que, no entanto, provocou a ira do governo dos Estados Unidos.
Sergei Vassilvitskii, que tem título de cientista ilustre do Google desde 2012 e é considerado um líder em seu campo, se reunirá com autoridades antitruste da UE na quarta-feira para expressar suas preocupações e propor uma abordagem mais ampla com melhores proteções.
A reunião acontece um mês depois que a Comissão delineou uma série de medidas que o Google deve tomar para permitir que os mecanismos de busca rivais acessem dados de pesquisa, como recomendação, consulta, clique e visualização, em termos justos, razoáveis e não discriminatórios.
A proposta da UE, que será finalizada nas próximas semanas após o comentários das partes interessadas, desencadeou uma resposta furiosa do Google, que a chamou de excesso de regulamentação que poderia comprometer a privacidade e a segurança dos usuários.
A questão é o método proposto pela Comissão para garantir a anonimização dos dados pessoais, disse Vassilvitskii, ressaltando os temores de que isso possa não ser forte o suficiente para impedir que as ferramentas modernas de IA vasculhem os dados para identificar as pessoas.
"Estamos preocupados porque a abordagem da Comissão para o sigilo não protege a privacidade dos europeus: nossa equipe vermelha conseguiu reidentificar os usuários em menos de duas horas", disse ele em comentários escritos exclusivos para a Reuters.
A equipe vermelha de inteligência artificial do Google é um grupo de hackers que simula uma variedade de atividades realistas de adversários para destacar possíveis vulnerabilidades e pontos fracos. O grupo também apresenta correções para as falhas.
Os órgãos reguladores decidirão até 27 de julho sobre as medidas exatas que o Google terá que implementar. Se isso não for feito, a empresa poderá ser acusada de violar a Lei de Mercados Digitais, que busca controlar o poder das grandes empresas de tecnologia, e ser penalizada com uma multa que pode chegar a 10% de sua receita anual global.



