Um estágio de foguete da SpaceX que havia lançado dois módulos lunares atingiu a Lua nesta quarta-feira, conforme previsto, após passar o último ano à deriva no espaço. Ninguém observou diretamente a colisão, ocorrida a cerca de 8.700 km/h, mas um telescópio no Chile detectou o que astrônomos identificaram como a pluma de detritos gerada pelo impacto. Para especialistas em rastreamento orbital, a queda do segmento era inevitável.
Carl Schmidt, da Universidade de Boston, afirmou ter certeza absoluta de que as observações de sua equipe revelaram sinais do choque: o Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, captou um fluxo de sódio e lítio que se estendeu por dezenas de quilômetros no espaço durante ao menos cinco a dez minutos após o impacto. Ele ressalvou, porém, que não há imagens do momento da colisão, apenas evidências telescópicas.
Antes mesmo do registro da pluma, o astrofísico aposentado Jonathan McDowell observou que o estágio superior inerte, de 4 toneladas, seguia em rota direta para a Lua. O local previsto para a queda era uma região árida e empoeirada próxima à cratera Einstein, no limbo ocidental iluminado do satélite, área difícil de observar da Terra. McDowell disse não ter dúvidas de que o foguete se despedaçou em pequenos fragmentos espalhados pela superfície. O cientista holandês Marco Langbroek, que apontou seu telescópio para a Lua no horário previsto, não conseguiu registrar nada, mas também afirmou não ter dúvida sobre o desfecho. A confirmação visual deve vir apenas na próxima semana, quando a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, sobrevoar o local e enviar imagens da cratera.
O estágio superior do Falcon, um cilindro com mais de 12 metros de comprimento, decolou de Cabo Canaveral em 15 de janeiro de 2025 levando dois módulos lunares privados: o Blue Ghost, da Firefly Aerospace, que fez um pouso bem-sucedido e se tornou a primeira espaçonave privada a conseguir o feito, e o Resilience, da ispace, que se acidentou. Julianna Scheiman, da SpaceX, afirmou nesta semana que a empresa trabalha com a Nasa para evitar novos episódios e frisou que a queda não foi deliberada — uma combinação de atividade solar e efeitos gravitacionais teria colocado o objeto acidentalmente em rota de colisão.
O caso é mais um capítulo do lixo lunar, problema que tende a se agravar com a corrida entre Estados Unidos e China para levar astronautas ao satélite. Em 2022, um foguete chinês atingiu a Lua de forma não intencional, e muitos outros fragmentos provavelmente caíram por lá em décadas passadas sem que cientistas soubessem. Com a Starship, de Elon Musk, avançando em testes no Texas e o módulo Blue Moon, de Jeff Bezos, ainda sem voar, um pouso tripulado pode ocorrer a partir de 2028. Para McDowell, quando o tráfego ao redor da Lua se intensificar, impactos que levantam enormes quantidades de poeira por centenas de quilômetros deixarão de ser aceitáveis.



Aviso