A literatura brasileira perdeu um de seus nomes mais importantes nesta terça-feira, 16. O escritor e jornalista Raimundo Carrero morreu aos 78 anos, no Recife, em Pernambuco. Reconhecido por sua extensa trajetória nas letras, o autor deixa uma obra que atravessou gerações e ajudou a consolidar seu nome entre os principais representantes da cultura nordestina contemporânea.
Segundo informações divulgadas pela TV Globo , Carrero estava internado havia cerca de uma semana no Hospital Esperança, no Recife. De acordo com familiares, ele procurou atendimento médico após sentir dores e recebeu o diagnóstico de um câncer em estágio avançado próximo ao pulmão. O escritor também convivia com sequelas e outras comorbidades decorrentes de dois AVCs sofridos em 2010 e 2015.
Natural de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, Raimundo construiu uma carreira marcada por romances premiados, atuação jornalística e formação de novos escritores. Ao longo da vida, publicou mais de 20 livros e conquistou importantes reconhecimentos, entre eles o Prêmio Jabuti de 2000, com a obra As Sóbrias Ruínas da Alma.
Entre seus trabalhos mais influentes está A Preparação do Escritor, considerado uma das principais referências sobre escrita criativa no Brasil. Na obra, Carrero compartilha técnicas narrativas, reflexões sobre a construção do texto literário e os desafios enfrentados por quem deseja se dedicar à escrita.
Em 2010, o autor venceu o Prêmio São Paulo de Literatura com o romance Minha Alma é Irmã de Deus (Record), livro que acompanha a trajetória de uma jovem personagem em uma jornada marcada por questões ligadas à fé, ao fanatismo religioso e à solidão.
Sua experiência pessoal também serviu de inspiração para a literatura. Após sofrer um AVC em 2010, Carrero transformou parte desse processo de recuperação em matéria-prima para O Senhor Agora Vai Mudar de Corpo (Record), romance autoficcional que retrata sua luta pela sobrevivência e reconstrução da própria identidade após a doença.
Em 2018, a Cepe publicou Condenados à Vida, volume que reúne a tetralogia formada por Maçã Agreste (1989), Somos Pedras que se Consomem (1995), O Amor Não Tem Bons Sentimentos (2008) e Tangolomango (2013), obras que ajudam a compreender a profundidade psicológica e a densidade narrativa presentes em sua produção literária.
Seu lançamento mais recente foi A Vida é Traição, publicado em 2025, pela Record. A obra promove um mergulho nos conflitos humanos, nas contradições da existência e nas inquietações que marcaram grande parte da trajetória literária do escritor.
Além da literatura, Carrero teve uma longa passagem pelo Diário de Pernambuco, onde atuou como crítico literário e editor durante mais de duas décadas. Também integrou o Movimento Armorial, liderado por Ariano Suassuna, a quem costumava se referir como mestre e grande influência intelectual.
Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) destacaram que Carrero deixou sua marca no imaginário popular ao criar a narrativa que atravessou gerações e permanece viva na memória dos pernambucanos.
Velório de Raimundo Carrero
O velório ocorre na Academia Pernambucana de Letras, instituição da qual o escritor era membro desde 2004. O enterro previsto para ocorrer no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, às 16h.
Em nota, a família agradeceu as manifestações de carinho recebidas e ressaltou que Carrero dedicou sua vida à literatura "com paixão, sensibilidade e compromisso". Já a Academia Pernambucana de Letras lamentou a perda de "um dos mais importantes escritores pernambucanos de sua geração".
Em reconhecimento à relevância de sua trajetória, o Governo de Pernambuco decretou luto oficial de três dias.



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