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Exposição ‘Movimento Sem Terra’ reúne fotos de Sebastião Salgado

Exposição ‘Movimento Sem Terra’ reúne fotos de Sebastião Salgado
Exposição ‘Movimento Sem Terra’ reúne fotos de Sebastião Salgado

Manaus/AM - Conhecido pelos impressionantes registros em diferentes cenários e momentos históricos pelo mundo, da febre do garimpo em Serra Pelada (PA), nos anos 1980, até as paisagens congeladas da Antártica, Sebastião Salgado é tema da nova exposição da Sala Coletiva das Artes, no Sumaúma Park Shopping. Com abertura marcada para a terça-feira (26), às 10h, “Movimento Sem Terra” reúne imagens do fotógrafo mineiro registrando 15 anos da história do movimento de luta pela reforma agrária no Brasil.

“Movimento Sem Terra” é uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, com apoio do centro de compras da Zona Norte. A mostra é aberta ao público em geral e fica em cartaz até 26 de novembro de 2017, com visitação gratuita de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h, segundo os horários das lojas do Sumaúma Park.

Ao todo, a exposição na Coletiva das Artes vai reunir 15 fotografias de Sebastião Salgado, pertencentes ao acervo da Pinacoteca do Estado. A seleção reúne parte do acervo produzido pelo fotógrafo mineiro principalmente entre os anos 1980 e 1990, quando Salgado acompanhou a luta dos trabalhadores rurais pelo acesso à terras para produção agrária. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), criado em 1984, reuniu 4,8 milhões de famílias em torno da redistribuição de terra no Brasil.

O olhar único de Sebastião Salgado sobre a figura humana e sua condição é o que se destaca nas obras reunidas na mostra, como aponta o secretário estadual de Cultura, Robério Braga. “As fotos de Sebastião Salgado elevam o registro documental a outro patamar, acrescendo às cenas retratadas uma perspectiva estética que lhe deu reconhecimento mundial e ajudou a projetar seu trabalho em nível internacional”, diz.

Curador da mostra, o fotógrafo búlgaro Roumen Koynov lembra que a obra de Salgado já foi criticada justamente pelo seu caráter esteta. “Exatamente essa sua visão sobre o jeito de transmitir para o público as suas ideias faz dele um fotógrafo único, combinando o poder das imagens em preto e branco com composições impecáveis, texturas rústicas e conteúdo extremamente chamativo”, escreve ele, radicado em Manaus há quase 20 anos.

Registro de uma luta – As imagens reunidas em “Movimento Sem Terra”, segundo Roumen Koynov, são exemplo do talento de Sebastião Salgado em captar texturas, composições e conteúdos singulares em fotos em P&B. As obras registram o cotidiano de famílias de trabalhadores rurais, dentre crianças, adultos e idosos. O trabalho, que Salgado iniciou em seu retorno ao Brasil após o exílio nos anos da regime militar, revela “o talento inquestionável de um dos maiores fotógrafos da atualidade”, diz o curador.

O interesse de Salgado pela situação dos trabalhadores rurais vem de antes de deixar o Brasil. “Quando eu era jovem, o Brasil era um país subdesenvolvido e, antes de ir embora, vi a pobreza crescer”, escreveu o fotógrafo no livro “Da minha terra à Terra” (2013). De volta ao país em 1979, ele conta que a pobreza lhe saltou aos olhos.

“Durante a ditadura (...) grande parte dos pequenos proprietários rurais vendeu sua terra a ‘preços sedutores’ (...) a grandes empresas agrícolas. Era como se tivessem sido expropriados, pois passaram a viver na precariedade. As primeiras fotos que tirei, ao voltar, mostram a situação desses camponeses, os boias-frias, que viviam à margem das imensas propriedades agrícolas criadas pela reunião de suas antigas terras”.

Em protesto contra a injustiça, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra foi criado em 1984. Salgado acompanhou a luta dos camponeses por quase 15 anos. “O MST agia legalmente e não lesava ninguém, ocupava apenas terras não cultivadas”, avalia o fotógrafo. “A Constituição brasileira estipula a proibição da posse de terras improdutivas. O que não impediu os grandes proprietários de infringirem a lei (...) Mesmo assim, graças ao MST, muitas dessas terras foram finalmente redistribuídas, na época, a cerca de 200 mil famílias”.

 

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