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Bispos do Brasil pedem justiça por tortura de ribeirinhos no Amazonas

após morte de pms

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Bispos do Brasil pedem justiça por tortura de ribeirinhos no Amazonas
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Manaus/AM - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, divulgou uma nota na noite desta segunda-feira (24), onde se solidariza com a Prelazia Apostólica de Borba e diz que acompanha de perto o conflito que atinge o povo no Rio Abacaxis e adjacentes. A polícia militar é acusada de cometer tortura e abuso de poder contra ribeirinhos e indígenas, após a morte de dois policiais em operação no local.

De acordo com a CNBB, a situação é grave e ganhou conotação nacional. Logo, faz-se necessário unir as forças junto aos órgãos competentes. Confira a nota completa:

“O Regional Norte 1 da CNBB, solidariza-se com a Prelazia Apostólica de Borba e acompanha de perto o conflito que atinge nosso povo no Rio Abacaxis e adjacentes. A situação é grave e ganhou conotação nacional. Logo, faz-se necessário unir as forças junto aos órgãos competentes.

A vida humana é dom e tem um valor inviolável. A Igreja a defende sempre! Por esta razão, pela força do Evangelho e sabendo que nosso Deus é o Deus da vida, nos posicionamos a favor de todos os povos, mas de modo especial dos mais ameaçados. Somos defensores da vida e repudiamos todo e qualquer tipo de violência contra a vida humana.

Assinamos, juntamente com outras 50 organizações eclesiais, da sociedade civil e movimentos populares o documento intitulado: “Manifestação contra a violência da Polícia Militar no Rio Abacaxis e na Terra Indígena Kwatá-Laranjal, nos municípios de Nova Olinda do Norte e Borba”. Fazemos de suas afirmações e denúncias nosso próprio grito que são pertinentes e precisam ser averiguadas. Por este motivo, agradecemos todas as entidades as quais foram solidárias, apoiando e defendendo nosso povo, e reafirmamos a necessidade de que sejam tomadas as devidas providências exigidas pela Manifestação:

1. O cessar imediato de todo tipo de repressão e/ou violência que vem sendo cometido contra comunidades tradicionais, o Povo Indígena Maraguá e Povo Indígena Munduruku, que habitam os Rios Abacaxis e Rio Marimari, nos municípios de Nova Olinda do Norte e Borba.

2. Que a Polícia Militar dê por finalizada a operação e retire-se da região.

3. Que se constitua uma comissão especializada do Conselho Nacional de Direitos Humanos para realizar uma visita nos Rios Abacaxis e Marimari, e elaborar um relatório sobre as violações de direitos fundamentais das comunidades tradicionais, Povo Maraguá e Povo Munduruku, que habitam nos Rios Abacaxis e Marimari.

4. Que a Polícia Federal, Ministério Público Federal, Defensoria Pública e Ministério Público do Estado do Amazonas realizem as investigações devidas para a apuração dos fatos, em uma missão independente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

5. Que se providencie o deslocamento imediato para a região de uma equipe do corpo de bombeiros para buscas da vítima desaparecida que pertence ao Povo Munduruku.

6. Que a Polícia Federal permaneça na região pelo menos durante sessenta (60) dias para resguardar a segurança e integridade física das comunidades e povos indígenas da região.

7. Que se realize uma audiência pública na aldeia Laguinho da Terra Indígena Coata-Larajal do Povo Indígena Munduruku, na qual todos os fatos possam ser relatados e denunciados com segurança.

8. Que haja a presença da Força Nacional, garantindo a segurança dos indígenas e comunitários, e a apuração dos crimes relatados, haja vista as denúncias de envolvimento da Polícia Militar do Estado do Amazonas nas mortes de ribeirinhos e indígenas. 9. Que sejam de imediato afastados dos seus respectivos cargos o Secretário responsável da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, o Comandante Geral da Polícia Militar presente no local e citado diretamente na prática de torturas; do Corregedor Geral do SSP, e Delegados também presentes na operação.

Deixem nossos indígenas em paz! Basta de violência e guerra por causa da ganância. Concedam o direito dos ribeirinhos de ir e vir. A Truculência do mal isolou nossos povos lhes tirando o direito de comunicação, de alimentação e de água potável. Isso é grave! Nós bispos, religiosos e religiosas, leigos, padres, missionários e missionárias através de nossas pastorais sociais, organismos como Comissão Pastoral da Terra - CPT e Conselho Indigenista Missionário - CIMI estamos tentando aliviar a situação, providenciando alimentação, água potável e outros meios de subsistência. Pedimos aos órgãos competentes que façam valer a justiça, ou seja, punindo quem deve ser punido e dando segurança aos inocentes dessa região. Exigimos que os fatos sejam elucidados. Que os desaparecidos sejam encontrados e os mortos sejam sepultados. E que nossas famílias possam viver e conviver na normalidade. Em meio ao medo, a insegurança e falta de informação, lembremos o que diz o Papa Francisco: “Não deixemos que nos roubem a esperança!” (EG, n. 86).

 

Deus vos abençoe. “

 

O documento foi assinado por Dom Edson Tasquetto Damian Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira e Presidente do Regional Norte 1, Dom Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Manaus e Vice-Presidente do Regional Norte 1; Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva Bispo da Prelazia de Borba e Secretário do Regional Norte 1; Dom Leonardo Ulrich Steiner Arcebispo da Arquidiocese de Manaus; Dom Mário Antônio da Silva Bispo da Diocese de Roraima e 2º Vice Presidente da CNBB; Dom José Albuquerque de Araújo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Manaus; Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Manaus; Dom Mário Pasqualotto Bispo Auxiliar Emérito da Arquidiocese de Manaus; Dom Marcos Marian Piatek Bispo da Diocese de Coari; Dom Gutemberg Freire Regis Bispo Emérito da Diocese de Coari; Dom Adolfo Zon Pereira Bispo da Diocese de Alto Solimões; Dom Giuliano Frigenni Bispo da Diocese de Parintins; Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira Bispo da Prelazia de Itacoatiara e Dom Fernando Barbosa dos Santos Bispo da Prelazia de Tefé.

 

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