O público sempre suspeitou dos meios de comunicação. Especialmente quando tentam manipular e particularizar a informação. O que acaba contaminada é a verdade, que passa a ter donos. É esse tipo de comportamento que coloca em xeque a liberdade de expressão e de informação.
Quando o jornalismo não é suficientemente claro e se revela manipulador, produz uma ameaça sobre si mesmo, porque fortalece o discurso de que certas liberdades - como a de imprensa, precisam ser monitoradas e limitadas.
O caso envolvendo a operação Estocolmo, por exemplo, gerou uma disputa suspeita entre dois importantes veículos: jornal e rádio. A informação real acabou obscurecida ou contaminada. Os dois grupos passaram a ser notícia e surfar numa onda de descrédito cuja consequência pode ser a perda de leitores e ouvintes.
Mas nada é pior do que o uso que fazem das instituições, a forma manipuladora com que induzem autoridades a tomar partido. O indiciamento do jornalista Marcos Pontes, logo após prestar depoimento à Polícia, pareceu precipitado e suspeito.
O dilema, entretanto, é de quem lê (caso do jornal) ou de quem ouve (caso do rádio). Quem está com a verdade ? Nenhum dos lados - os dois voltados para seus próprios interesses. Quem quiser se informar, tem outros caminhos...

