“Em um hectare consegui produzir apenas cem quilos de cupuaçu neste ano, por causa da vassoura-de-bruxa. Agora, com esse cupuaçuzeiro lançado pela Embrapa mais produtivas teve para os produtores de cupuaçu do Amazonas.
Maia tem mesmo o que comemorar. As novas cultivares podem superar em até 100 vezes a produtividade de sua última safra, pois chegam a produzir entre sete e 10 toneladas/ha. As plantas também ultrapassam a média do Amazonas, que conforme dados do IBGE de 2013 foi de duas toneladas/ha. Além de mais produtivas e resistentes àvassoura-de-bruxa, doença causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, as novas cultivares – BRS 297, BRS 298, BRS 299, BRS 311 e BRS 312 – produzem frutos bonitos e bem formados, que atendem a todos os padrões de qualidade exigidos pelo mercado.
Conforme o produtor de cupuaçu e presidente do Sindicato Rural de Presidente Figueiredo, Leonardo Mississipe, a vassoura-de-bruxa é um problema sério que estava diminuindo consideravelmente o interesse pelo plantio do cupuaçuzeiro. “Os produtores de cupuaçu estavam desestimulados e eu tinha o sonho de ver a vassoura-de-bruxa combatida. Tinha o sonho de ver Presidente Figueiredo voltar a ser o que era antes, o grande produtor de cupuaçu do Estado. Acredito que a Embrapa nos deu este presente e agora voltamos a ter esperança de produzir cupuaçu”.
As pesquisas que resultaram na seleção das cinco cultivares como plantas superiores foram desenvolvidas por meio do programa de melhoramento genético do cupuaçuzeiro da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus/AM), iniciado no final da década de 80. Conforme a pesquisadora da Embrapa, Aparecida Claret, as novas cultivares podem ser decisivas para aumentar a competitividade do cupuaçu, aliando redução dos custos de produção e geração de emprego e renda, devido à quantidade maior e regularidade da produção.
Com o plantio das novas cultivares, um dos principais gastos que deixam de pesar no bolso do agricultor é a poda fitossanitária, manejo realizado para remoção das vassouras das plantas, que é caro e trabalhoso. “Com certeza uma planta resistente à vassoura-de-bruxa e produtiva vai gerar muito mais lucros para nós agricultores”, destacou o agricultor Filomeno Maia.
Plantio
Apesar da variação de produtividade que existe entre as cultivares, não é recomendado plantar apenas a mais produtiva, sendo o ideal cultivar os cinco clones. A estratégia visa facilitar a polinização cruzada entre as plantas, manter a diversidade genética do pomar e dificultar a quebra de resistência à vassoura-de-bruxa. O plantio pode ser feito com espaçamento de sete por sete metros e uma densidade de 235 plantas/ha, caso haja o interesse de incluir outras plantas no intervalo entre os cupuaçuzeiros. Caso o objetivo seja somente produzir cupuaçu, é possível adensar mais o plantio.
Com a disponibilidade de plantas resistentes, produtivas e com frutos de elevado rendimento de polpa e amêndoas, cultivar o cupuaçuzeiro, árvore nativa da Amazônia, se consolida como uma boa alternativa para o agricultor. A valorização no mercado e o aproveitamento total do fruto por diversos segmentos da agroindústria comprovam isso. De sabor agradável, a polpa do cupuaçu é usada para sucos, balas, cremes, sorvetes, licores e iogurtes. As amêndoas, ricas em gorduras e proteínas, têm espaço na indústria de cosméticos e podem ser utilizadas para a produção do cupulate – produto semelhante ao chocolate. A casca também tem utilidade, e pode ser aproveitada para artesanato ou como adubo.
Evento
O evento de lançamento das novas cultivares, que aconteceu na sexta-feira, reuniu mais de cem agricultores no auditório do Ifam (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas) e integrou a programação da 18ª Festa do Cupuaçu de Presidente Figueiredo. A atividade foi promovida pela Embrapa Amazônia Ocidental e contou com apoio da Prefeitura de Presidente Figueiredo, através da Secretaria Municipal de Abastecimento e Desenvolvimento Agrícola, Aquícola e Pesqueira, Ifam e escritório local do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam).
Durante a abertura do evento, o chefe-geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Marcelo Brum Rossi, disse que, se bem conduzida pelos gestores públicos e pelo setor primário, a cultura do cupuaçu pode revolucionar a fruticultura do Estado. “É uma grande satisfação poder colocar este material à disposição da sociedade. O cupuaçu, assim como outras frutas da região, tem um grande potencial, mas não pode ficar apenas no potencial. Esperamos que estas cultivares possam ajudar a aumentar a produção no Estado, gerando renda e emprego para o interior do Amazonas”, comentou.
Comercialização
A produção de mudas é por enxertia, podendo ser utilizado o método de enxertia por borbulhia ou por enxertia no topo. O produtor pode adquirir as hastes para formação das mudas das novas cultivares através do Escritório da Amazônia da Embrapa Produtos e Mercados. Os porta-enxertos devem ser formados via propagação por sementes e já têm de estar prontos para receber o material. A previsão é que as hastes passem a ser comercializadas a partir de outubro deste ano. O telefone para fazer a reserva do material é o (92) 3303 7882/7886 ou o e-mail [email protected].
Equipe técnica
A equipe técnica integrante do trabalho é formada por Aparecida Claret, Maria Geralda de Souza, Nelcimar Reis, Olivia Almeida, Regina Quisen, Rodrigo Berni, Rosangela Guimarães, Ana Maria Pamplona, Anderson Wolff, João Socorro, João Lima, José Amilcar, Roque Campos, José Costa, Argemiro Mota, Luis Alberto Gomes, Manuel Andrade, Antonio Salomão da Cruz, Ricardo Rebello e Sebastião Pereira.

