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ONGs ligadas a David Almeida receberam mais de R$ 15 milhões no governo de José Melo

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ONGs ligadas a David Almeida receberam mais de R$ 15 milhões no governo de José Melo
ONGs ligadas a David Almeida receberam mais de R$ 15 milhões no governo de José Melo
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Manaus/AM - Pelo menos três organizações não-governamentais (ONGs) com alguma ligação com o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e pré-candidato ao governo do Amazonas, David Almeida (PSB), receberam pelo menos R$ 15,5 milhões de duas secretarias de Estado, ao longo da administração do ex-governador José Melo (PROS). Melo foi cassado pela Justiça Eleitoral por compra de votos e, depois, preso pela Justiça Federal, na operação Custo Político, no âmbito da operação Maus Caminhos, que desbaratou uma quadrilha que desviou R$ 100 milhões que deveriam ir para a saúde da população. David foi líder do governo José Melo na Casa e, depois, eleito presidente da ALE com o apoio do ex-governador.

As três ONGs que receberam juntas exatos R$ 15.565.387,44 são o Instituto Desperta o Amanhecer do Norte (Idan), o Educação e Cultura ao Alcance de Todos (Ecat) e o Instituto Periferia. Uma quarta ONG, a Associação Liberdade, de Dulcinea Ester De Almeida Motta, irmã de David Almeida, não entra no cálculo pois não há dados oficiais sobre o valor do convênio que manteve com a  Secretaria  de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) em 2009. O portal de transparência do Estado só tem dados de 2010 em diante. Mas sua  citação é importante para provar as ligações das outras com o David Almeida.

O Instituto Periferia é de Clenio Francine Freire Pinto, advogado que foi chefe de gabinete da 1ª Secretaria da ALE quando David Almeida  foi  1ª secretário da Casa, de acordo com publicação no Diário Oficial do dia 9 de fevereiro de 2012, Edição nº 095. A ONG tinha endereço no bairro Jorge Teixeira, em Manaus, na Rua Coirama, 21. De acordo com o portal de transparência do governo do Amazonas, o Instituto de Clenio recebeu R$ 960 mil da Sejel, apenas em 2014, ano da reeleição de José Melo e de David Almeida.

O Idan, que recebeu R$ 2,99 milhões da Sejel, em 2015, é de Ricardo Cristiano Pesqueira da Silva, um dos doadores da campanha eleitoral de David Almeida em 2014, de acordo com a prestação de contas do então candidato publicada pela Justiça Eleitoral. Ricardo foi candidato a vereador em 2016 pelo PCdoB, partido que aderiu à pré-candidatura de David, neste ano. O endereço do Idan era a Rua Leopoldo Neves, 13, no bairro Morro da Liberdade, em Manaus, onde David diz ter sido a sua base eleitoral, no início de sua carreira política. Maria Socorro Pesqueira da Silva, também fez doação  à campanha de David na última eleição.

O Ecat, que tinha como endereço a Rua Dona Mimi, 1, também no Morro Da Liberdade, em Manaus, é de Raimundo Nonato Moraes Brandao, que na sua página no Facebook diz que já foi chefe de gabinete na ALE e é advogado. No governo de José Melo, o Ecat recebeu R$ 6,2 milhões da Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab) e R$ 3,8 milhões da Sejel.  O dono da Ong  atuou na defesa da irmã de David Almeida, Dulcinea, em processo de prestação de contas da Ong Associação Liberdade, no processo  3508/2009, do convênio com a Sejel, no Tribunal de Contas do Estado (TCE). O convênio foi feito quando o secretário da Sejel era o ex-deputado estadual Lupércio Ramos, que foi aposentado este ano como procurador da ALE, com vencimentos de R$ 24,6 mil e foi um dos políticos presentes à solenidade de filiação de David Almeida ao PSB.  A Ong da irmão de David ganhou o status de utilidade pública pela Lei 3411, de 30 de julho de 2009, quando o irmão já era deputado estadual. E também funcionava  no bairro Morro da Liberdade, na Rua Sao Luis, 2. 

O dono do Ecat,  Raimundo Nonato Moraes Brandão, é um dos dez suspeitos denunciados pelo  Ministério Público do Estado  (MP-AM), em fevereiro, de integrarem organização criminosa desarticulada durante a operação Traíra, em dezembro do ano passado. A organização fraudava convênios da Federação de Pescadores dos Estados do Amazonas e Roraima (Fepesca) e o Governo do Amazonas. 

Entre os denunciados está o presidente da entidade,  o ex-deputado estadual Walzenir de Oliveira Falcão, que discursou em apoio ao lançamento da pré-candidatura de David Almeida, na última quinta-feira. Raimundo e Walzenir  respondem pelo crime de lavagem de dinheiro. A denúncia é de desvio de dinheiro público de cinco convênios firmados entre a Fepesca e a Setrab, entre 2012 e 2014. Segundo o MP-AM, parte dos recursos desviados (R$ 2 milhões) saiu da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) e  Walzenir  era o lider do esquema. As penas previstas por  lavagem de dinheiro vão de 3 a 10 anos de prisão e multa.

Em 2012, o Ministério Público Eleitoral (MPE) ajuizou representação contra  David Almeida, eleito deputado estadual em 2010, pela prática de condutas vedadas. Um veículo de mídia impressa de Manaus noticiou que as atividades médicas e sociais prestadas pelo Instituto Liberdade só seriam possíveis devido a convênios celebrados com o governo estadual e à atuação do deputado. O jornal informou que a Ong da irmã de David Almeida firmou convênio com a Sejel, por três meses, no valor de R$ 1 milhão e promovia o do candidato a deputado. 

O entendimento da Justiça Eleitoral foi pela extinção do processo por  decadência. A denúncia não identificou um agente público responsável por transferir recursos para a Ong e foi ultrapassado o prazo limite para a propositura da representação, que é a data da diplomação dos candidatos. 

Resposta de David Almeida

Por meio de da assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa o deputado David Almeida se defendeu. "A matéria em questão foge do contexto jornalístico por não indicar fato ou ato que impute responsabilidade ao deputado David Almeida. Os fatos ainda são alvo de apuração junto aos órgãos de controle. A pretensão de transferir eventual responsabilidade pessoal dos envolvidos a ele, só demonstra o uso de estratégias politiqueiras inconfessáveis, que visam apenas desconstruir o legado deixado por ele durante o governo interino, de maio a outubro de 2017, que o habilitou à disputa eleitoral deste ano ao cargo de governador do Amazonas”.

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