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Molchat Doma, que estourou com som gélido cantado em russo, retorna ao Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Austero, como as grandes construções de concreto da antiga União Soviética, e gelado, tipo um dia de inverno na Sibéria. Assim é comumente descrita a sonoridade do Molchat Doma, banda da Belarus com músicas que remetem aos anos 1980, de instrumental criado a partir de sintetizadores e teclados, com vocais cheios de eco.

É frio e dançante, ao mesmo tempo, o tipo de som que tocaria no Madame Satã. E certamente parte do público que frequenta a balada gótica paulistana estará no show do Molchat Doma em São Paulo, no dia 15 de novembro, no Tokio Marine Hall, a segunda vez que a banda se apresenta na cidade em menos de quatro anos.

Mas por que um grupo com som à moda antiga cantado em russo faz tanto sucesso fora de sua terra? "Simplesmente fazemos o que sentimos, em nossa própria língua e com nosso próprio tom", diz por e-mail Pavel Kazlou, que toca baixo e sintetizadores.

"Talvez seja essa honestidade, combinada com a atmosfera da nossa música, que ressoe. Pessoas de diferentes países reconhecem algo familiar em nossas canções --solidão, melancolia, ansiedade. Esses são sentimentos universais."

Formada em 2017 em Minsk, a capital de Belarus, o Molchat Doma era uma banda conhecida só por quem entende até estourar para muito mais gente durante a pandemia. Em 2020, o grupo viralizou no TikTok com a faixa "????? (Sudno)", usada para animar vídeos em que vemos jovens dançando em locais de estética abandonada e paredes pichadas --as imagens são combinadas a fotos de cidades da Rússia no inverno.

O trio tocou em São Paulo há pouco mais de três anos, numa noite de ingressos esgotados guardada na memória de quem foi. Agora, retorna com a turnê de seu mais recente disco, "Belaya Polosa", lançado no ano passado pela gravadora americana Sacred Bones, que tem no seu elenco outros nomes de sonoridade pós-punk como o Molchat Doma.

O disco, o quarto da carreira, foi gravado em Los Angeles, algo inédito para o grupo até então. Eles dizem que tiveram a oportunidade de experimentar mais profundamente com sons e texturas no estúdio, graças ao acesso a equipamentos de melhor qualidade, o que permitiu que a banda criasse uma sonoridade mais limpa, espaçosa e precisa em comparação aos discos anteriores, segundo Kazlou.

Para a banda, a linguagem visual e musical andam de mãos dadas --nas capas dos discos há imagens de construções retrofuturistas de estética brutalista, ou seja, dominadas pelo concreto. Neste tipo de arquitetura, muito presente na União Soviética após a Segunda Guerra, há frieza, rigidez e alienação, diz Kazlou, mas também forma, ordem e escala.

"Nossa música é semelhante --pode parecer áspera ou contida no início, mas, por dentro, carrega emoção, tensão e drama. É por isso que a linguagem visual e musical andam de mãos dadas para nós."

Questionados se tiveram mais liberdade criativa nos Estados Unidos em relação à sua Belarus natal, uma ditadura aliada do governo russo de Vladimir Putin, o baixista responde que "a liberdade criativa é mais um estado interno do que algo relacionado à geografia". Mas ele não foge ao cerne da questão.

"Mas sim, nos Estados Unidos temos menos restrições externas e internas. Aqui, ninguém te impede de fazer o que você ama, e você não vive com o medo de que tudo possa acabar de repente amanhã. Isso tem um grande efeito em como você trabalha e como você vivencia sua música."

Molchat Doma

Quando: 15 de novembro, sábado, a partir das 18h

Onde: Tokio Marine Hall - r. Bragança Paulista, 1281, São Paulo

Preço: Entre R$ 210 e R$ 500

Link: https://www.eventim.com.br/event/molchat-doma-tokio-marine-hall-20200087/?affiliate=M4R

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